19/08/2009
um chefe de posto na aldeia
com minha metade-inverno
em chamas
miro a fresta da taipoca
e pressinto um sol,
não tão faiscado
quanto minhas entranhas
(quero meu governo sem poder)
visto sem razão um pano
e sento no pátio
assumindo escuta serena
horizontalizo-me
(e lido com a tensão de ser e exercer)
30/11/2008
Caxêkwyj
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Saber ser
é saber cuidar,
maturar a memória,
despencar no fenomenológico
de nossos dias,
e praticar.
Práxis comunitária
dá sentido ao saber.
Saber esperar e
saber compartilhar
é saber resistir.
A resistência é simbólica,
e cada canto de pássaro
é dialógico.
O aporte do saber
é interagir,
é experienciar.
E os amanhãs esperam,
mas não podem protelar.
06/09/2008
Ser
com feridas de taquara,
e canta o som das águas.
desperta o que de santo há,
e não segue.
diz as histórias que,
o que o vento balança nas sinapses,
é pé-de-encanto,
é seiva aflorada e mastigada
de horror, de dor,
de prazer e de beleza.
pois que seja,
"a dor e a delícia de ser".
Vitor Aratanha
26/06/2008
Didentro
e mostra fecunda uns caminhos?
árvore que voa ao redor das nossas escolhas
vaga na nuvem dispersa dos lados internos,
que repletos,
jogam passos,
e esquivas.
e se quem sabe a noite que orvalha nosso sonho,
acalenta pingo-prisma na nossa mão?
pousa em pluma no coração e na mente,
leveza e dureza,
sob o mesmo tendão.
Vitor Aratanha
19/05/2008
entranhar-se
achei o tudo cheio de mim.
quis sentar numa árvore,
pensei no vínculo telúrico,
e desisti.
não porque não queira
mas pela necessidade da inteireza
daonde vem, praonde vai?
me acerto pojante,
e volto atrás.
hoje então,
eu sentei numa árvore,
entretanto chorei.
pranto ambíguo
lágrimas de cumplicidade
e sorrisos de mãos dadas.
Sensação de querer
me entranhar,
e primaverar os vazios que não têm fim.
22/04/2008
ei!
anunciada a revisão do que é nosso
ancoremos os pés na terra ceifada
como lagartixa que acompanha o rítmo das pegadas
ei você!
laceia o passo do outro
encontre no extra-muro o claro do seu mundo
ampliemos os cachos em dominó,
complementaridade.
ei nós e outros!
partilha de olhares,
sal e açúcar em fusão
confusão?
então não mexa não...
ei transeunte!
passa rápido não, mira.
degusta o caminhar de lados alheios,
desperte, aperte,
sorria.
ei passarinho!
vislumbra pena brilhante no despertar do sorriso.
voa leve voa longe,
distante do peso das mágoas,
e do carregar coração inchado.
ei árvore do cerrado!
me mexa, e revele.
me saúda com suas curvas,
me privilegie com sua sombra brisa.
ei você aí!
não me dá um dinheiro aí,
me dá o compromisso do coletivo,
a reflexão para o outro,
o não-caminho das artes ilhadas no seu plástico,
o aberto,
o belo feio do múltiplo,
o sereno.
e assim,
não seremos assim,
seremos traçado,
pinceladas conformes,
todas juntas,
dentro dos disformes.
Vitor Aratanha
12/04/2008
...
quero falar do inverso do nada
do verso no avesso
a inversão do vazio
a caixa-preta pisada
quero mentir para a verdade
desmascará-la
ridicularizá-la
gritar pra ela,
que ela não basta
quero mensurar aquele nada
nadar nos seus ventos
e soprar os vazios que não o contém,
só o detém
quero brincar de jogar nada
espalhar cada grão de areia do parque
no fluxo dessas travessias,
andanças para subverter esse nada
quero não gostar do nada,
mangar dele,
buscar seu inverso,
e fotografá-lo.
quero ser inversamente proporcional ao nada
que é nada
mas com tudo dentro.
Vitor Aratanha
19/03/2008
O coração numa ervilha
querer do bem enquanto favo,
cadeias dos sentires apertam o cuidado,
ego inverso e translocado.
buscas por âncoras perdidas no mar revolto,
correntezas imprevisíveis assumem espaço
e atingem sem dó um ponto nevrálgico,
quando me cego e despedaço
os dias ensolaram a sombra que permeia,
sufocam a paisagem com lágrimas;
meandros de vultos em teia
desconstroem o início das páginas.
em sondagem do sentimento,
um fluxo constante
fomenta um caminhar pra frente
que recomeça a cada instante.
Vitor Aratanha
03/03/2008
Na Passagem
poeminha de bem com a vida... =P
abraços a todos/as!
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fantocha nossas ilusões
que lúdico é bom pra consciência
atarracha nossas expectativas
em cortiças espectrais para ventos futuros
suplanta arcádios e abstractos
e flui solta em manhã-pingado
para todos os lados
reinventa paixão cercana
de vários traços e nuances
corrobora sorrisos múltiplos e assanhados
como brisa leve e inexplicável
me chama pra sambar no seu tablado
ruídos desformes dentro dos conformes
planta semente de alegria
e me re-cria vida sentida,
me intensifica
me pragmatiza
que eu respondo
com um doce de caju cristalizado
e um fuá catopêlizado bem animado!
Vitor Aratanha
17/02/2008
Silêncio
entidade sutil
nas tênues fronteiras
o vazio é a sua presença
o silêncio
esse ilimitável
pode ser na madrugada
na distância
e nas cigarras
como ponte
nos leva para dentro
e para longe
Vitor Aratanha
12/02/2008
Invisibilidade Urbana
espectro de luz incíta
olhares fulminantes demarcam
de cada parte sai o causo
e amedrontados
em individuação interpelada pelos desvios
acercam os andares e fulgores alheios
e constantes, brincam de se esconder
atrás daquele sinal
atrás daquele cartaz
atrás daquele meio-fio
é obscuro, é inconsciente
apresenta nosso racismo
conforma nossa distância
e encara nosso desprezo.
varreduras instigam
poeiras os cercam
significam o que lhes é demandado
a limpeza
a pobreza
a invisibilidade
vivemos sem sorrir para um desconhecido,
demarcamos tratamentos por classe
forjamos imagens e lugares
agimos projetando um simulacro
e afogamos nosso discurso.
obrigado pela visão social que engendram
de parcerias de olhares
emergem alcances positivos
e dignidade outra nos acolhe.
Vitor Aratanha
Alumbrar-se
apago as luzes
fomento o quieto
pensamentos me voam
feixes reluzentes me desproporcionam
caio no súbito querer onírico
e persiste uma manhã-pingado
assim,
constrangindo o caminhar de lados
e atormentando cabeça intensiva,
infrinjo meu bem-estar
em nome de alumbramentos recalcados.
Vitor Aratanha
Alumbrar-se
Apago as luzes