25/10/2011
02/12/2009
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O riso da carpideira
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a carpideira resmunga reclama
e entoa a ladainha
a carpideira anda em bandos
e entoa a ladainha
a carpideira inveja a jovem
e entoa a ladainha
a carpideira recalca
e sente o toque do santo
enquanto tateia o terço
a carpideira fofoca
e entoa a ladainha
a carpideira vê novela
e entoa a ladainha
mas tem um tempo
em que a carpideira ri gostoso.
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27/10/2009
09/07/2009
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o sol que surge
dissipando a névoa
da noite no paranoá
não vai destruir fácil
as cicatrizes da noite
que perdura pelos cantos
se cantos houvesse
solidão
lágrimas no pó
falta
de mar
...........apesar do seu campeonato de surf
de bar
de chances de descobertas
de afinidades eletivas
secura adentro
nas frestas da memória
saudade de casa
cosmópolis provinciana
ignoro
seus prédios espelhados
a la dallas mata passarinhos
sua briga entre arquitetos e engenheiros
entre caixotes e curvas no ar
entre a utilidade e a beleza
o tiro no pé na caserna
a louvação à operação condor
meninos ainda rezam em ak-47
quando o choro do clube
for de alegria
quando o clube for o anticlube
o aberto o da esquina
quando se espalharem o plano
das cidades parques
sem muros e grades
teus cobogós
quando os ciclistas
e pedestres tiverem vez
quando a cesta básica
tiver um livro
quando forem
abertas as casas
todas as portas
do coração
quando o amor
entrar na bandeira
quando a bandeira
for apenas a da porta-estandarte
a lenda do eterno berço
do país do futuro
se quebrou
a alvorada adentra a tarde
nasceu uma flor de asfalto
espanto erguido no ar
a esperança venceu o medo
despertam bromélias
o sonho sebastianista
de dom bosco
a riqueza inconcebível
...................aiainda para poucos
no lusco fusco
as sombras da contrarreforma
as sobras da falta de razão
capitanias hereditárias
o corporativismo o coleguismo
a brodagem a família
a religião
o apadrinhamento
apertos de mãos
tapinhas nas costas
fala baixo
o jogo encenado
as cartas marcadas
os signos escondidos
dos incautos súditos
o público privatizado
a regra do puxadinho
o temor reverencial
o culto à hierarquia
o respeito à gravata
ao carimbo
o prazer do poder
tal e qual uma falta de carinho
pra quem precisa de atenção
quanto de seus buzus
têm de navios negreiros?
ratos de comissões
urubus de funções
mendigos de bolsas
o sol a iluminar
as pedras evoluídas
não nasce fácil
parto difícil
barulhento
como uma sinfonia de buzinas
o artifício dos kalungas
sugere uma luz sutil
enquanto cresce a teia
do canto dos galos
até o conforto dos óculos escuros
o recado pelo muro
não é mais necessário
dos sapatos
ficam só os rastros
eldorado dos concurseiros
tuas dondocas de dourado
teus novos ricos
tuas alpinistas sociais
tuas putas discretas dos gabinetes
teus motéis lotados na hora do almoço
cadê tua camponesa?
teu parnaso é sertanejo?
outro amanhecer que não o do vale
és glauber tomando café da manhã
pelado no hotel nacional
és uma mulher inteiraça
com um tribal no rego
calangando nas pedras
da morada do sol
és uma senhora derrubada
mijando nas águas quentes
de caldas novas
és uma latinha boiando no poço azul
és um santo jogando dinheiro do alto do banco central
és duas mangas carlotinhas
a estufar a camiseta preta punk
os afogados da piscina de ondas
cadê teu neguinho do oludum
tua santa tereza
tua cidade velha
tua cidade baixa
teu centro
tua cidade?
o conic não basta
tanto espaço
e tão poucos lugares
o sol ainda não está a pino
não chega a todos as quebradas
mas já se sugere no campus
com as confrarias e tudo
o fogo no rabo do pereira
no porão do rock
e como se levar a vida na flauta
fosse um imperativo categórico
a luz tênue
na flauta nos dedos dela
nas gaitas e bandolins
o tempo infante
em tuas matemáticas
destinadas a viver melhor
a lâmpadacesa madrugadentro
asa delta
pousando no monumentalbeirute com hora pra fechar
com uma peixeira
no afã de rasgar
de abrir uma fenda
brecha pro húmus
hiedra água
tiro faíscas do concreto
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17/12/2008
Oh! Que estúpido fui!
no dia em que nasci.
Voaram cacas, caquinhos e cagões
fedendo como nunca vi.
Desde então sou poeta solitário
corajoso, forte e temerário
orgulhoso pra caralho
mas no borralho.
Quem me empresta nova panelinha?
Quero que me puxem o saco.
Exijo ser chamado gênio.
Preciso cagar regras.
Ai que saudades de uma cagadinha
na minha literária panelinha.
Sebastião Nunes
03/12/2008
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de Leonardo Menezes por Mateus Trabelo
24/11/2008
enquanto cacos
obeliscos estátuas
resto de toscos tocos
se engalfinham pralguns
num mar de escombros
inflo
a vela a lona
o estranhamento do medo
das rotinas embalsamadas
das máscaras incorporadas
das personas despercebidas
dos desejos recalcados
explodo
em meu corpo
exposto
um verso
granadas regos e cascatas
02/10/2008
>
>
nexo sampleado
assim eu quereria um poema encravado na terra como um jequitibá plano geral e microscópico silêncio e movimento ao mesmo tempo nem tão claro ou escuro de nenhum deus como se a manhã fosse infinita de olhos loucos abertos escândalo de utopias flauta vibratória e membranosa lambida na fissura da superfície das pedras um poema sem formas vago num mundo cinematográfico como uma ruga desenho do caos a perfurar o couro a tatuar os anos pequeno a desaparecer no fluorescer das lentes espelhadas dos carros e a fritar entre os cascalhos do asfalto e a ebulição da borracha a consciência a memória a curto prazo poça rasa suja pisada por distraído pimenta queimando entre os lábios faiscando na garganta seiva aflorada mastigada de horror dor prazer beleza língua celeste de duas bocas lágrima do acaso bijoteria barata que se arrebenta num ato de amor beijo na sua fronte adormecida que agita levemente seu rosto em um sutil sorriso ao redor da boca com seus grandes olhos fechados como duas barrigas grávidas e ante o seu despertar um novo beijo firme enfático e delicado risco que ultrapassasse o passo forjasse o perdido bifurcasse o lápis como um riso profundo no risco que faria na carne de quem o lesse como uma oferenda poema que não seria semente nem flor nem filho porque jamais nascido nem envelhecido porque não é amor e nunca fruto grito engolido escrito numa língua ora incipiente língua porvir desesperado peixe privado de mar a maldizer o dia cinza fé no acaso poema que sobressaltasse seus olhos e alimentasse fantasias demais pro teu humor de eterna terça-feira cansado da preguiça matutina do amor poema chavão que abrisse porta grande paz atômica vastidão de universo em pele inverso do nada do verso no avesso à sombra do ritmo solto como um bicho muitos serendipismos anti-penca de pancas heris largo repertório poema perdido na miopia do desejo que perseguisse cores fulgurantes carregado de milhares de anos em cada ombro passado vazio de sonho frustrado roda sem-fim a girar em girassóis demasiados como água pra mirra cuidado pro manjericão delicadezas pras flores pássaro que esfacelasse um mundo feito pra criaturas meridionais obesas língua que começasse a remexer dentro de um corpo morto seu nome pronunciado nesta noite empoeirada selvageria tonta a derreter eternamente o cimento das coisas madrugada barulhenta cheia de luas manhã estralhaçada entre os dentes poesia doce e calma sem curvas sem buracos sem pedras a romper tréguas diques muros miragens barata na boca da garrafa gerra antibélica nuvens nos pés ruídos desformes dentro dos conformes de um branco raiado que revestisse os corrimões dos salões salas saletas caixas de papel caixas de fósforos esculturas de palito de dente arvorando ao vento por entre as flores das pontinhas das árvores capivara sem parque solta no cerrado espelho de alice ainda menina com seus cabelos brancos vestida com as cores de todas as mil e uma estações pra não perder o tino do tempo como um sopro que lembrasse o sul em setembro água suja que precisasse de um filtro divino pra resgatar um resto de luz nada de mau louco ou santo apenas dúvida das palavras cristalinas teu olho fincado no meu cintura agarrada rebolado assanhado como um gol um estrondo que relampejasse um copo que transbordasse um amor fugaz um poema a comer teu desejo com um garfo cravado de estrelas como a realidade cravando-me as unhas bagunça de casa nova moça assombrada com tanto modismo papel manchado de poeira negra coberto de verdades insuspeitas via incerta mas não errada um poema que nunca se acabasse oceano de sóis onde parece navegar tranquila a paixão que fosse a tua roupa teu fósforo tua voz que fosse uma língua inclusive pra falar uma perna inclusive pra andar cheiro de bergamota que ganhasse a casa e tirasse a coceira que não se pode encontrar canto triste de pássaro que só canta quando não está triste ciência do que se sabe menos palavra aberta de sentidos pra todas as vidas que vivemos
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04/09/2008
.>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>pro I. Ciro
Patrick tem fé
na ciência
no cinema
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tudo vai melhorar
sob o olhar generoso
da beleza
da razão?
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pela crítica da crítica
no não se deixar
passar pra trás
quer que as coisas
se mostrem
e o discurso flua
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plano geral e microscópico
silêncio e movimento
ao mesmo tempo
>
>
........................................................... mateus trabelo>
16/05/2008
e, mais que viver,
vamos amar,
todos os resmungos juntos
dos velhos severos
vamos avaliar em um centavo!
os sóis podem se pôr e voltar:
nós, apagada nossa breve luz,
dormiremos uma noite eterna.
me dê mil beijos, depois cem,
depois mais mil, depois a seguir cem,
depois sempre outros mil, depois cem.
então, com muitos milhões,
vamos confundi-los, perderemos a conta,
ou algum maldoso poderá invejar
sabendo a quantidade da beijação.
.............................................................
V
Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis!
soles occidere et redire possunt:
nobis cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus invidere possit,
cum tantum sciat ese basiorum.
Catulo, Séc. I A.C.
transcriado por Mateus Trabelo
10/04/2008
20/02/2008
não fui claune
mas nunca é tarde
já passei muito por louco
prum louco verdadeiro faltou coragem ou audácia
sem a qual não se move palha
nesse mundo de espantalhos
tão pobre de palhaços
PROFISSÃO: LOUCO
é o tema da exposição de um fotógrafo
em que me vejo de corpo inteiro
ou melhor pelo avesso entranhas à mostra
esfolado vivíssimo mostrando as garras
que Deus me deu e me tirou ou tenta tirar
quem nunca sonhou em ser louco já nasceu morto
não merece nenhuma ressurreição
pra outra vida museu de cera ou de horrores
roda da rotina rodopiando geringonça de engonço frágil
só a loucura nos salva de nós e sobretudo dos outros
e dá o poder de levitação e vôo
que os sujeitos à lei da gravidade tentam roubar
a loucura
a mais bela e lúcida das profissões
é o céu e o inferno
o resto é limbo
rompe tréguas rompe diques
muros e miragens
guerra antibélica
desnortea o norte e o sul
o leste e o oeste
invencível
apocalíptico e aparentemente infantil
sou mil em um
me estarreço
locomotiva sem trilhos
eu eu eu eu eu eu
pássaros pássaros
pros valores desse mundo
tão de cabeça pra baixo
só se pondo de pernas pro ar
pra pisar no chão
e medir o adversário nos olhos
sua insignificância cânones e cânceres
daí o claune
colorido louco
histrião ou bobo da corte
o menos bobo da confraria
dar sempre cambalhotas
e olhar por entre as pernas
o revólver do dedo apontado
para o pavor da morte
dos que trazem a morte dentro de si
os eternos moribundos
se me ponho a raciocinar demais
numa dessas crises de bom senso
apesar ou por causa da morte
banco o iogue e planto bananeira
até que tudo volte ao seu devido lugar
o rei a rainha o bispo o cavalo
de novo no tabuleiro de xadrez
as nuvens aos meus pés
me fazem um bem enorme
o rei e a rainha insistem em reinações
enquanto piso no efêmero e no vazio
ainda chego se não na sabedoria da loucura
na palhaçada tempo integral
aprendiz de louco macaco de louco aqualouco
surpreende que o louco morto
seja igual todo morto
grito parado na calmaria suspeita
do seu rosto da família
meireles braga bragança álvares de albuquerque
o absurdo o inominado inominável
os olhos de espanto
enfim fechados
sol negro
suas mãos terríveis agora dormem
tocadas pela brisa que por um instante
lhe move os cabelos lhe aviva cílios e pálpebras
flores tantas cobrem o morto e confortam a família que teme
como seria justo
que a loucura pode não morrer e o rebelde novamente se rebelar
e rir de si e dos outros
entre as rosas emergem uns pés perplexos e perdidos no ar
sem atentarem para a extrema gravidade desse instante eterno
extraído de
Cartas de viagem e outras crônicas
por Mateus Trabelo
11/12/2007
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meu futuro livro de poesia ficou ainda mais fino
depois que li essa do Waly no Algaravias:
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..
Quase qualquer antologia
da atual poesia nacional:
seqüência segue seqüência
de poema-piada
e pseudo-haicai.
Ou o pior de tudo
e o mais usual:
brevidade-não concisão
brevidade-camuflagem
de poema travado
engolido pra dentro.
(...)
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Valeu Salomão.
Nós, a meia dúzia de três ou quatro que leremos o livro,
agradecemos.
Mateus Trabelo
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31/10/2007
09/10/2007
INTERVALO COMERCIAL
Carrefû
EXTRA!
É a renga!
EXTRA!
ÚLTIMA NOTÍCIA!
Reuters e Globo
É a renga!
É a renga!
Ôba!
PLANTÃO URGENTE!
poesia após poesia
como se tantos fosse um
É a renga! É a renga!
Ôba!
É o pai
é o pau
vagabundos em prédio
É a renga!
O que vem lá?
...................................................Mateus Trabelo