Mostrando postagens com marcador anna k. lacerda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anna k. lacerda. Mostrar todas as postagens

11/01/2011

ADMIRAÇÃO

Lá fora
Um sol
Avisa da vida
Que dentro
Queima

Cá
Uma lua
Que lenta
Pousa

É céu!

E um cão
Que a tudo contempla
Guarda no olhar
Horizontes
De segredos

POEIRA

AQUELAS PALAVRAS NO PAPEL
PARDO PELO TEMPO
PENDULAVAM NAS PÁLPEBRAS
PUERIS
UMA ESPERANÇA PERDIDA

ERA A POESIA
PAIRANDO
PELA FRESTA
ABERTA
DA PORTA

ERA A POESIA

ESSA

INSISTIA EM NÃO DORMIR
ENQUANTO HOUVESSE VIDA
BIRITANDO SUOR

NUMA ESQUINA

26/09/2010

PIANNA

O colorido
Sonoro
Que acorda
Com tônica
Minha pele

Representa
Aleatoriamente
O sistema
Que me rege
Nessa lua

Caio atonal

E a harmonia
Como a uma pintura
Impressionista

Libera
Os contornos
Que compassos
Constroem
Em escalas
Meu ♥

(Anna K.)

17/08/2010

...

Amanhã é distante
A manhã vem e me abraça
A toa eu fico
A toalha vem e me aquece
Amassa meu corpo
A massa de carne, sangue...
Caratê e jazz
Cara de quem jaz

Quem disse?
Dicionário
Cadê?
Cadeado

(meu eu dentro do seu mim)

Ocaso é curto
O caso vem e me escapa
Ímpar eu fico
(in) pares vem e me completam
Afoga meu corpo
O fogo de lágrima, suor...
Linguagem e cama
Língua de quem kamasutra

Quem fez?
Fissurado
Caça?
Caçado.

10/08/2010

AMÉM

Oh,
Pequei senhor!

Cometi
Tudo
Livremente

Difamado
Com unhas
Dentes
E espasmos

Foste tu
Ou os homens
A inventar
Regras?

Quanta blasfêmia!

Nem sei tua cara
Ou se posso ter-te
Coroa

Pequei
Com elegante
Auxílio
Dos Deuses
Meninos

Assim conquistei
Mundos
E meninas

Meu céu
Nunca perdeu
A exuberância,
Não fui castigada
Em cruz

Cruzes!

Quiseram
Que eu dançasse
Em fogueira
Mas as fagulhas
Que ejaculei
Explodiram
Em estrelas

CIGANA (para Nanda Barreto)

a porta estará aberta
ao que torna verde
os dias,
ao que tem cheiro de mato
molhado

seguirei descalça
nua
descabelada
de mãos dadas
com as sementes e os baús

conte-me tudo
ao pé do ouvido
sem titubear

quero saracotear a vida
como a um mergulhador
que descobre os segredos
da escuridão

e nela acender uma vela

quero suas mãos que me são claras
e nelas percorrer as linhas

em troca ofereço meus dedos
longos e cravados

tudo agora
tudo instante
na multiplicação dos segundos

um riso nunca é a toa
assim como um balão
nunca voa em vão

SUSPIRO

Gradualmente
As vistas
Ficarão mais cansadas
Que o habitual

As pernas
Dançarão
Bambas
Pelas ruas,
As mãos
Serão fracas
Perante
Os copos

Na face: rugas
Cavidades da vida
Marcas do tempo
Coração em pêndulo

Subitamente
A memória
Falhará,
Fechará
O cerco

Irão amores
Amigos
Mementos

A espinha
Ereta
Curvará
Em cumprimento
Eterno?

E a fragilidade
Será sem-vergonha

Inevitavelmente
Cairá em leito
Num sopro
Horizontal
Será fatal
Por ter sidoHumano

SALGADO

E se ela partisse
De repente
Como uma estrela
Que parece cair?

E se ela partisse
Como se entrasse
No trem
Que não regressa?

E se ela partisse
Como o sonho
Que não há lembrança?

E se ela partisse?

Meu coração
Partido
Em pedaços
Pontiagudos

Rasgaria
Minh'alma
Em tortura
Dilacerante

Meu cambalear
Sôfrego
Desmoronaria
Sarjetas

Adeus alicerces do mundo!

Mundo imundo
Que desplanta
Flores de alegria
Desmundo de prazer

Só a paisagem
Quadrada
De uma cela
Sem sol

Só o peito
Trajado
De hospício

Nada mais
Que um corpo
Oco
Vazio
Sozinho

Nada mais que o nada

Nada restaria
De pavio
Ao brilho
Que um dia
Tive no olhar

Sem sorrisos
Sem presente
Sem futuro

Uma capa
Mofada
De super herói

Um palhaço
Sem criança

Um céu
Sem lua

E eu
Sem mar