andros anderson e alessandra valle
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22/02/2012
14/08/2010
29/03/2009
o retrato da senhora aimée de heeren
um insólito sopro de névoa
escapa pela tez invisível da tela
penetrando pretensiosamente
os desavisados orifícios da pele
uma forma disforme difusa
da qual significados simplesmente escapam
traz à tona as coisas belas e sujas
de onde a natureza nasce
vejo e pergunto onde estariam teus olhos
senão ali no lugar dos meus
teu rosto transfigurado em nebulosa de sonhos
invadindo o corpo numa semiose seminua
transformando um eu pasmo
quando a cautela do distanciamento
rendida à irresistível atração
já não nos mantém na superfície
vejo e pergunto se seria o mesmo rosto
daquela feiticeira inca que um dia
adentrou os portões de coberville
encarnada num cavalo selvagem
aos olhos de lóbulos vazios como os teus
será que estaria mesmo em ti
o reflexo transparente de tantas almas fugidias
ou essa epifania translúcida proveria apenas
do olhar inquietante de quem a pintou
escapa pela tez invisível da tela
penetrando pretensiosamente
os desavisados orifícios da pele
uma forma disforme difusa
da qual significados simplesmente escapam
traz à tona as coisas belas e sujas
de onde a natureza nasce
vejo e pergunto onde estariam teus olhos
senão ali no lugar dos meus
teu rosto transfigurado em nebulosa de sonhos
invadindo o corpo numa semiose seminua
transformando um eu pasmo
quando a cautela do distanciamento
rendida à irresistível atração
já não nos mantém na superfície
vejo e pergunto se seria o mesmo rosto
daquela feiticeira inca que um dia
adentrou os portões de coberville
encarnada num cavalo selvagem
aos olhos de lóbulos vazios como os teus
será que estaria mesmo em ti
o reflexo transparente de tantas almas fugidias
ou essa epifania translúcida proveria apenas
do olhar inquietante de quem a pintou
24/03/2009
aporia
andando em círculos
apanhando a brisa do tempo
como tempestade
seguindo rasuras e rastros vazios
ruminando vozes e ruídos: mapas
narina enfurnada no
singelo vapor dos que passam
escalando certa seta que
aponta pra dentro reta
idílico horizonte perdido em
apanhando a brisa do tempo
como tempestade
seguindo rasuras e rastros vazios
ruminando vozes e ruídos: mapas
narina enfurnada no
singelo vapor dos que passam
escalando certa seta que
aponta pra dentro reta
idílico horizonte perdido em
miúdos canais de excreção
esperam na fila a ordem do dia
assentando a poeira da história
com delicados gestos aprendidos
orando famintos por novas crias
cumulando penhoras e rugas desertas
alimentando a incompreensível fome
até que a morte os ampare
esperam na fila a ordem do dia
assentando a poeira da história
com delicados gestos aprendidos
orando famintos por novas crias
cumulando penhoras e rugas desertas
alimentando a incompreensível fome
até que a morte os ampare
andando em eternos círculos
eles que tanto amam
metas e rodas delirantes
deslizam assépticos
pela lama fértil da vida
desprezando novelos
enaltecendo saídas
bradando: fora poesia!
eles que tanto amam
metas e rodas delirantes
deslizam assépticos
pela lama fértil da vida
desprezando novelos
enaltecendo saídas
bradando: fora poesia!
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