as palavras estão doentes em mim
sobrepostas em paisagem de asa
qual vertigem espraiando-se em silêncio
as palavras têm dor de inseto
em meu peito aberto de azul, uma frase se inscreve
e um grito assobia-me
as palavras estão doentes em mim
em mim sou escrita numa fotografia de vidro
quando tudo é escuro, quando tudo é vento
as palavras escorrem ao lado das auroras
tornam-se viveiros de cores encardidas
enquanto encosto a face na silhueta do fogo
as palavras estão doentes em mim
chovem no anteontem e nas bordas do vazio
como anelos de fragrância jasmínea
estou cega de anoiteceres
estou cega de céu
estou cega de borboletas pousando nas corcovas do lírio
estou cega de flores
estou cega de gorjeios
e de orvalhos
as palavras estão doentes em mim
quando os sinos tocam em meus dedos de gravetos o horizonte
as palavras amanhecem ao contrário
desmoronam em asas de libélula que se desenham em meu ventre
asas circundam-me impregnadas de absurdo
e vez ou outra, nuvens fazem-me cócegas
as palavras estão doentes em mim
como balbucio de folhas alaranjadas no teto do quarto
o alaranjado me cobre o corpo inteiro
e viro átvore
e viro instante
e viro abajur na cauda de um caracol que desistiu da eternidade
as palavras estão doentes
em mim
só me resta.
Mostrando postagens com marcador kybelle de oliveira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador kybelle de oliveira. Mostrar todas as postagens
15/04/2010
12/01/2010
ENQUANTUM
eu via o sol evaporar-se nas cortinas do meu quarto
sabia que a solidão era tenaz
sentada ali em sua cadeira de balanço com fragrâncias de saudade
eu via o sol erguer-se em estátuas, em seu corpo
modulando o tato na escuridão
eu via a expressão do céu lilás acolchoado sobre a planície dos sonhos
por vezes, acariciava as luzes da cidade com meus olhos de lágrimas
de mãos dadas com a menina,
eu acreditava que todo o palpitar de coração fosse brevidade
ficava aqui, tropeçando pelo labirinto de meu corredor
ele tem a distância de dois corpos quando fazem amor
ele tem a distância de um beijo sorrateiro,
eu escutava a respiração do outro lado do muro
e um pavor tomava conta de mim
eu quis subir o muro
mas sempre caía
achava melhor acender um cigarro e esperar tudo ficar em quietude
achava melhor esperar um aceno de compaixão
já que todos os fósforos estavam apagados
só me restava um suspiro matinal, daqueles que as borboletas acalentam antes de morrer
eu quis ser pólvora
uma vez acreditei que o silêncio era azul
e que a saudade, não sei bem de quê, fosse um deserto desenhado em papel sagrado
como cartas mágicas se perdendo no tempo
pensava no amor...
enquanto observava a bailarina riscada nas paredes do quarto ao lado
fazendo acrobacias com o mistério.
sabia que a solidão era tenaz
sentada ali em sua cadeira de balanço com fragrâncias de saudade
eu via o sol erguer-se em estátuas, em seu corpo
modulando o tato na escuridão
eu via a expressão do céu lilás acolchoado sobre a planície dos sonhos
por vezes, acariciava as luzes da cidade com meus olhos de lágrimas
de mãos dadas com a menina,
eu acreditava que todo o palpitar de coração fosse brevidade
ficava aqui, tropeçando pelo labirinto de meu corredor
ele tem a distância de dois corpos quando fazem amor
ele tem a distância de um beijo sorrateiro,
eu escutava a respiração do outro lado do muro
e um pavor tomava conta de mim
eu quis subir o muro
mas sempre caía
achava melhor acender um cigarro e esperar tudo ficar em quietude
achava melhor esperar um aceno de compaixão
já que todos os fósforos estavam apagados
só me restava um suspiro matinal, daqueles que as borboletas acalentam antes de morrer
eu quis ser pólvora
uma vez acreditei que o silêncio era azul
e que a saudade, não sei bem de quê, fosse um deserto desenhado em papel sagrado
como cartas mágicas se perdendo no tempo
pensava no amor...
enquanto observava a bailarina riscada nas paredes do quarto ao lado
fazendo acrobacias com o mistério.
31/10/2009
PETER
(para Peter)a língua lamber lua-pupila
cine(cio)entre as pernas
...ossos...
sombras tocar desejo de prata
boca abrir lábios clitóris amargo
oh, baby canta, canta, canta
recantos azuis e ásperos
ela toca, toca, toca ereto atravessando nuvens
pôr dedos sêmen quase horizonte
pôr dedos sêmen quase horizonte
beba, beba, beba sangue alaridos de estreelas
sorriso
dois "o" buraco anelo dentro
quebrar sexo faz outro
com palidez de oceano
olhar passeando no umbigo floral
chupar antes laranja sem coração
azular delírio caverna céu
martelando crepúsculo
cabelos lilases arremessados em cone
come, me come vermelha
lápide trepa sob areia de farol antigo
língua-lamber água trepidando em volume
tocando seios
foder fogo foder ar
virar cócoras
garganta pensa lambe gotas pele
branca
de girassol tumba
cortar tempo em carne corpo forma
Peter acordar
copular cata-vento canino enforca
luz apaga
sonho desperta.
17/10/2009
LIZ FRASER
(Para Liz Fraser)
voz de Liz Fraser entre
pele no céu róseo
quase afago
entremeio
distante sibila pernas
lábios
nos beijos da véspera
céu aproxima
uma lágrima cai
incerta tateia os seios
devassa kairós
cobre fronte
serpenteia o distante
desfaz caracois
constroi castelos de balão
na imensidão do abraço
...
adormecem ponteiros
tempo de asa
paisagem de tarde sépia
afasta o obscuro
melodia circunda
te
(in)teira
alonga matiz
por teu corpo de avelã
ampulheta de algodão que esquece areia e selva e cápsulas de ácido
dentro
ti
forma vento
o resto
a nostalgia
...
amor.
voz de Liz Fraser entre
pele no céu róseo
quase afago
entremeio
distante sibila pernas
lábios
nos beijos da véspera
céu aproxima
uma lágrima cai
incerta tateia os seios
devassa kairós
cobre fronte
serpenteia o distante
desfaz caracois
constroi castelos de balão
na imensidão do abraço
...
adormecem ponteiros
tempo de asa
paisagem de tarde sépia
afasta o obscuro
melodia circunda
te
(in)teira
alonga matiz
por teu corpo de avelã
ampulheta de algodão que esquece areia e selva e cápsulas de ácido
dentro
ti
forma vento
o resto
a nostalgia
...
amor.
05/10/2009
DESPEDIDA
Ó gentil dama dos olhos carmelitas,
lábios de fruto proibido
dar-te-ia o abraço da morte infinita,
aos suspiros mais amargos cantaria
em teus braços seria eu,
mais uma alma esperançosa
quisera, tão ampla quanto o negrume da noite em melodia,
teu corpo divagando em flores e perfumes
dourando-se em tormentas desmedidas
em perdições que o tempo desconhece
quisera eu tê-la sob a mão desfalecente
amalgamada em meu peito
como um voraz aceno de despedida
Ó amada, o sorriso me falta
mas quando em sonho tu me encontras
minhas asas abrem-se em forma de coração
e à ti, uma música dedico em silêncio
e me pergunto:
por que foste embora sem saudar-me com teu sopro de fúria e de meiguice?
Ó dama que me conduz à perdição
a bailar de braços dados, emaranhamo-nos como os selvagens
sob os lençois de carmim
e anelos de alecrim
Ó fidalga,
que me impregnou em noite de maldição
com teus seios e teus lábios róseos,
por onda andas se já não sei onde estou?
ó minha libertina,
a lira não mais me pertence
mas guardo em meu corpo
o sêmem que agora já me é inexistente.
(kybelle de oliveira)
lábios de fruto proibido
dar-te-ia o abraço da morte infinita,
aos suspiros mais amargos cantaria
em teus braços seria eu,
mais uma alma esperançosa
quisera, tão ampla quanto o negrume da noite em melodia,
teu corpo divagando em flores e perfumes
dourando-se em tormentas desmedidas
em perdições que o tempo desconhece
quisera eu tê-la sob a mão desfalecente
amalgamada em meu peito
como um voraz aceno de despedida
Ó amada, o sorriso me falta
mas quando em sonho tu me encontras
minhas asas abrem-se em forma de coração
e à ti, uma música dedico em silêncio
e me pergunto:
por que foste embora sem saudar-me com teu sopro de fúria e de meiguice?
Ó dama que me conduz à perdição
a bailar de braços dados, emaranhamo-nos como os selvagens
sob os lençois de carmim
e anelos de alecrim
Ó fidalga,
que me impregnou em noite de maldição
com teus seios e teus lábios róseos,
por onda andas se já não sei onde estou?
ó minha libertina,
a lira não mais me pertence
mas guardo em meu corpo
o sêmem que agora já me é inexistente.
(kybelle de oliveira)
26/04/2009
Bras-ços-ilha
tuas pernas foram desbravadas
feito uma prostituta lambida
teus braços disseram adeus
aos cafetões cravados entre o pó e a tristeza
tua boca ressequida já não estava só
entre catedrais e concreto demais
tua fortuna era o desvão
nada de terra prometida...
tua voz agora é rouca
vaga entre cactos e farpas
tu és uma puta insana
idolatrada ao avesso
tambores tocam abrindo a relva de teus pêlos profanos
e te vemos com o olhar dos inocentes
no horizonte de névoa roxeada
coaxando pelas madrugadas de teu corpo em frêmito
jogado às cinzas dos siderais
às estrelas sazonais
ao zelo de teu sexo sem pátria
vagabundeando em tua solidão matinal,
ela sobrevoava sem asas
ela cantarolava aos anjos fincados em pedestais
e sob a terra vermelha de sangue
com tatuagens engravatadas na paisagem azul,
ela era um cadáver trepando no silêncio do tempo.
(meu poema para “Brasília” – kybelle de Oliveira)
feito uma prostituta lambida
teus braços disseram adeus
aos cafetões cravados entre o pó e a tristeza
tua boca ressequida já não estava só
entre catedrais e concreto demais
tua fortuna era o desvão
nada de terra prometida...
tua voz agora é rouca
vaga entre cactos e farpas
tu és uma puta insana
idolatrada ao avesso
tambores tocam abrindo a relva de teus pêlos profanos
e te vemos com o olhar dos inocentes
no horizonte de névoa roxeada
coaxando pelas madrugadas de teu corpo em frêmito
jogado às cinzas dos siderais
às estrelas sazonais
ao zelo de teu sexo sem pátria
vagabundeando em tua solidão matinal,
ela sobrevoava sem asas
ela cantarolava aos anjos fincados em pedestais
e sob a terra vermelha de sangue
com tatuagens engravatadas na paisagem azul,
ela era um cadáver trepando no silêncio do tempo.
(meu poema para “Brasília” – kybelle de Oliveira)
03/04/2009
POEMA XXIV
o coração é súbito flores
daquelas jogadas nos cemitérios
e que recobrem as galáxias
poeira esverdeada,
o coração
lâmina em treva,
oráculo sideral
lembrança do infinito sob o ruído das pálpebras em lágrima
o coração, véspera
em planícies de dragões solitários
areias aladas de gelo milenar
um palpitar de crinas brancas em prece
o coração,
espectro do vôo
vértebra ancestral no negrume do azul
estrelas e caracóis copulando em borboletas
coração,
oceano de vidro
crisálida do alvorecer.
Kybelle de Oliveira
24/03/2009
MORADA
em sua morada brotavam vaga-lumes
cisnes de asas quebradas
trotava o silêncio com sua longa cabeleira
escamas vermelhas arranhavam o sonho
(...)
em sua morada o sol escapava
as árvores fundiam o ouro e o vento
nas vértebras das dês-palavras
em sua morada as histórias apagavam o tempo
as larvas alongavam-se em solidão
antecediam o grito num breve sorriso
...
os sentimentos eram perfumes de vespas
em rodopio com estrelas e terra azul
uma criança em desamparo sobre a névoa das flores
e das cinzas esculpidas nos trovões (...)
em sua morada as folhas eram as faces do escuro
do precipício ronronando dentro de seu coração
era a metamorfose das serpentes sangrando sob os olhos da neve...
em sua morada nascia o absurdo
cores borradas circundavam seus lábios
borboletas caminhavam nas pétalas da chuva
enquanto ela velejava em seu barquinho de papel.
cisnes de asas quebradas
trotava o silêncio com sua longa cabeleira
escamas vermelhas arranhavam o sonho
(...)
em sua morada o sol escapava
as árvores fundiam o ouro e o vento
nas vértebras das dês-palavras
em sua morada as histórias apagavam o tempo
as larvas alongavam-se em solidão
antecediam o grito num breve sorriso
...
os sentimentos eram perfumes de vespas
em rodopio com estrelas e terra azul
uma criança em desamparo sobre a névoa das flores
e das cinzas esculpidas nos trovões (...)
em sua morada as folhas eram as faces do escuro
do precipício ronronando dentro de seu coração
era a metamorfose das serpentes sangrando sob os olhos da neve...
em sua morada nascia o absurdo
cores borradas circundavam seus lábios
borboletas caminhavam nas pétalas da chuva
enquanto ela velejava em seu barquinho de papel.
(Kybelle de Oliveira)
Assinar:
Postagens (Atom)