ímpar
rente ao corpo de iván
e a cintura de anna,
sinto meus olhos
mergulharem no azul
do mar de havana.
ele tem cheiro de menta,
ela tem gosto de âmbar.
somos três pares
descalços, pisoteando
a noite em chamas.
nossos beijos não cabem
nos versos eu faço,
desconsolo de quem ama.
nossa prosa, mais teimosa,
cria pontes, se esparrama.
vem a razão, nos detém:
somos três ilhas cubanas.
nossos desejos, no entanto,
são cavalheiros e são damas
e se metem pelos ventos...
- consentidos… doidivanas…
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25/05/2011
27/09/2010
c i r c u n s p e t o
te quero
sem que
n i n g u é m
veja
sem que
n i n g u é m
veja
e mesmo
q u e
alguém visse,
duvido que
conseguisse
traduzir a
e s q u i s i s t i s s e
deste amor
que lampeja
e arde...
(s e m a l a r d e s)
discreto,
duvido que
conseguisse
traduzir a
e s q u i s i s t i s s e
deste amor
que lampeja
e arde...
(s e m a l a r d e s)
discreto,
d e s t i l a d o
no
a z u l
da tarde.
no
a z u l
da tarde.
30/05/2010
autenticada
minha rima é fraca
minha casa não é própria
a cintura é mal feita
meus seios não apontam saturno
eu nem sei passar batom!
trabalho nos dois turnos
não acredito no tempo
pra mim, a intesidade
me julgam sem argumentos
de parca credibilidade
meu ex é um babaca
o atual, pilha fraca
o seguinte, atrasado
não esbanjo longas madeixas
meu pezinho não é de gueixa
meus olhos não são azuis
e minha conta vive no vermelho
eu tenho insônia
e sofro de renúncia!
minha caligrafia é torta!
não endureço nem morta!
mostro os dentes
(e escondo uns medos)
na escola, fui má companhia
e ainda há os que confundam
minha alegria com mil ousadias!
sou pura melancolia...
convivo com azia
o pandeiro não me obedece
o cobrador não me esquece
coloco meu coração na mesa
pra que cortem suas fatias
rogam que fico pra tia!
sou tomada de defeitos
meu bamboleio é quadrado
meu fluxo, desregulado
detesto dar satisfação!
não ofereço segurança
cada qual com sua dança!
e puxa! como me cansam
as coisas definidas, fixadas,
estáveis e estabelecidas!
desde sempre é assim:
minha borracha se desmancha
em tanto erro e engano.
eu não tenho técnica
desconheço a métrica
minha prosa engana
não sou boa de cama
e sempre levo a fama!
26/01/2010
.
.
.
.
.
linguagem
a palavra estala
na ponta da língua:
desejo.
a boca se abre,
quer libertar-se:
lampejo.
o som toca o ar,
revela o silêncio:
segredos.
ruídos se atrevem,
rompem a carne:
selvagens.
meus olhos atentos
te buscam sem erro:
no ouvido.
tua mão desafina,
confunde o caminho:
me toca.
tua língua entende,
engole a saliva:
garganta.
tua voz se levanta,
espanta meus ecos:
ruídos.
teus dedos conduzem
a nossa conversa:
avançam.
me enlaçam cintura,
coxas e seios:
vacilam.
sou pura dúvida,
não ouso dizer-te:
receio.
contamos bravatas,
velhas histórias:
nem creio.
suspendo as roupas,
verdades são nuas:
miragem.
e roço com gosto
minha fala na tua:
linguagem.
.
.
.
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..
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linguagem
a palavra estala
na ponta da língua:
desejo.
a boca se abre,
quer libertar-se:
lampejo.
o som toca o ar,
revela o silêncio:
segredos.
ruídos se atrevem,
rompem a carne:
selvagens.
meus olhos atentos
te buscam sem erro:
no ouvido.
tua mão desafina,
confunde o caminho:
me toca.
tua língua entende,
engole a saliva:
garganta.
tua voz se levanta,
espanta meus ecos:
ruídos.
teus dedos conduzem
a nossa conversa:
avançam.
me enlaçam cintura,
coxas e seios:
vacilam.
sou pura dúvida,
não ouso dizer-te:
receio.
contamos bravatas,
velhas histórias:
nem creio.
suspendo as roupas,
verdades são nuas:
miragem.
e roço com gosto
minha fala na tua:
linguagem.
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14/11/2009
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dou voltas arrastadas pelos lençóis.
há uma saudade enguiçada no meu peito.
levanto devagar, meio curvada pelo peso das lembranças.
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.
então flutuo
dou voltas arrastadas pelos lençóis.
há uma saudade enguiçada no meu peito.
levanto devagar, meio curvada pelo peso das lembranças.
percebo o tempo, sem preconceito de horas.
há uma chuva de estrelas no teto do meu quarto.
e eu não consigo mais acordar.
nem dormir.
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.e eu não consigo mais acordar.
nem dormir.
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07/11/2009
.
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.
vida inteira
se eu for infeliz,
será de verdade.
é tolerável:
pé direito baixo
para sonhos que
não alçam voo.
o que eu não posso
é com uma feliciade
média, fosca, rala.
- alimento para a cobiça.
o que me mata
é ser feliz
de mentira.
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vida inteira
se eu for infeliz,
será de verdade.
é tolerável:
pé direito baixo
para sonhos que
não alçam voo.
o que eu não posso
é com uma feliciade
média, fosca, rala.
- alimento para a cobiça.
o que me mata
é ser feliz
de mentira.
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29/09/2009
24/09/2009
09/05/2009
pOeMiNhos
aquecer a água
preparar o chá
esquecer a mágoa
esquecer a mágoa
esquentar as mãos
reparar os sins
libertar os nãos
antever a sorte
acreditar contudo
acreditar contudo
suspender a morte
o poEma infLAma
debaixo da saia
da dama.
fugir no meio do baile
o poEma infLAma
debaixo da saia
da dama.
fugir no meio do baile
tirar a roupa
te ler em braile
galanteio
ficou
caduco, senil,
mas jura que
nunca viu
assanhada
sentir
frio.
ficou
caduco, senil,
mas jura que
nunca viu
assanhada
sentir
frio.
sorrio
como
quem
pincela
de arco-íris
a crueza dos dias.
como
quem
pincela
de arco-íris
a crueza dos dias.
21/03/2009
24/01/2009
encalço
você vem, azucrina meus grilos,
me desperta sigilos,
põe salto em meus finos
desejos marfim.
e tropeço na esquina,
adormeço nos becos
da cidade azul,
azul, verde, ardente,
secura, sem fim.
sinuosa desora...
madrugadas de outrora:
boca arfante, minha mão
quente. as tuas, em mim.
pelas ruas, saudades.
tranco a porta, invades:
são teus ecos zumbindo
e zombando de nós.
ai, de mim!
que me perco em tolices,
atravanco pieguices...
são saudades!
Tolices! pois bem sei
que é pra sempre
o vazio.
amanhece lá fora. mudo os móveis.
vá embora! da janela aberta,
vejo a sombra da distância
que um dia nos uniu.
você vem, azucrina meus grilos,
me desperta sigilos,
põe salto em meus finos
desejos marfim.
e tropeço na esquina,
adormeço nos becos
da cidade azul,
azul, verde, ardente,
secura, sem fim.
sinuosa desora...
madrugadas de outrora:
boca arfante, minha mão
quente. as tuas, em mim.
pelas ruas, saudades.
tranco a porta, invades:
são teus ecos zumbindo
e zombando de nós.
ai, de mim!
que me perco em tolices,
atravanco pieguices...
são saudades!
Tolices! pois bem sei
que é pra sempre
o vazio.
amanhece lá fora. mudo os móveis.
vá embora! da janela aberta,
vejo a sombra da distância
que um dia nos uniu.
06/01/2009
velhos desconhecidos
amanheço ao lado deste homem,
gentil desconhecido, que desbrava
meus cotidianos tempestivos sem
compreender ao certo o que ontem
deu em mim.
a cada manhã, ele finca estes olhos
que nunca vi nestes olhos que nunca
foram meus. e cultiva nossas memórias
no corpo ressentido desta presença anciã
que brota na gente.
há tanta certeza nas dúvidas avivadas
por nós dois, que cada inquietude sugere
verdades conquistadas pelos caminhos.
este homem, da voz mais mansa que ouvi,
me cala de tanto amor.
amanheço ao lado deste homem,
gentil desconhecido, que desbrava
meus cotidianos tempestivos sem
compreender ao certo o que ontem
deu em mim.
a cada manhã, ele finca estes olhos
que nunca vi nestes olhos que nunca
foram meus. e cultiva nossas memórias
no corpo ressentido desta presença anciã
que brota na gente.
há tanta certeza nas dúvidas avivadas
por nós dois, que cada inquietude sugere
verdades conquistadas pelos caminhos.
este homem, da voz mais mansa que ouvi,
me cala de tanto amor.
04/01/2009
umidade relativa
pelos teus céus, brasília, neste final de tarde,
planto meus pés no chão de barro vermelho,
uma terra agora úmida, outrora seca,
quase da cor deste teu fim de tarde alaranjado
que incendeia minhas lembranças longínquas
e desmaia meus olhos mansamente pela
silhueta verde-mato da tua vizinhança desordenada.
oferendo a ti, cidade voadora, estas asas
que me brotam nas costas, meu coração
intocado de infância e quem do meu ventre sairá.
navego ao querer dos teus ventos, desenhando o futuro
pelos raios de sol que mergulham desde a encosta
azulada dos teus palácios de mentiras e busco teu quinhão real
mergulhada nas profundezas cinza-chumbo do lago paranoá.
pelos teus céus, brasília, neste final de tarde,
planto meus pés no chão de barro vermelho,
uma terra agora úmida, outrora seca,
quase da cor deste teu fim de tarde alaranjado
que incendeia minhas lembranças longínquas
e desmaia meus olhos mansamente pela
silhueta verde-mato da tua vizinhança desordenada.
oferendo a ti, cidade voadora, estas asas
que me brotam nas costas, meu coração
intocado de infância e quem do meu ventre sairá.
navego ao querer dos teus ventos, desenhando o futuro
pelos raios de sol que mergulham desde a encosta
azulada dos teus palácios de mentiras e busco teu quinhão real
mergulhada nas profundezas cinza-chumbo do lago paranoá.
17/04/2008
ilusão
espia só este universo
que eu guardo em mim
e teus olhos ficarão
sobressaltados.
eu alimento fantasias demais
pro teu humor
de eterna terça-feira.
até meus fantasmas
se assustam
com minha altercação:
metade de mim,
domingo ensolarado.
a outra parte, escuridão.
macedônias de vozes
alteradas sussuram
gritos intermináveis
aos meus ouvidos
de ilimitada rouquidão.
e tudo me cansa em demasia.
até a preguiça matutina do amor.
não, não quero ser compreendida.
sou rebuscada em causa própria.
meu medo, meu bem, é que me entendas.
espia só este universo
que eu guardo em mim
e teus olhos ficarão
sobressaltados.
eu alimento fantasias demais
pro teu humor
de eterna terça-feira.
até meus fantasmas
se assustam
com minha altercação:
metade de mim,
domingo ensolarado.
a outra parte, escuridão.
macedônias de vozes
alteradas sussuram
gritos intermináveis
aos meus ouvidos
de ilimitada rouquidão.
e tudo me cansa em demasia.
até a preguiça matutina do amor.
não, não quero ser compreendida.
sou rebuscada em causa própria.
meu medo, meu bem, é que me entendas.
06/04/2008
Brotoejas em flor
Ah! Como eu gostaria
de saber pensar como sinto!
Dar uma palavra para cada sensação.
Uma sentença a cada crença.
Ajuizar todas estas sementes
que nascem e morrem em mim.
Esta roda sem-fim que gira
em girassóis demasiados:
A mirra precisando d'água,
o manjericão, de mais cuidado
e as flores, estas benditas flores,
a me exigir delicadezas que não tenho!
Durmam rosas sem-culpa!
Não há chuva de idéias
neste meu corpo cansado de supor.
Eu pressinto nossos dias!
Entreouço nossos andejos!
Vos ofereço água e saliva,
mas não sei, senão amor.
de saber pensar como sinto!
Dar uma palavra para cada sensação.
Uma sentença a cada crença.
Ajuizar todas estas sementes
que nascem e morrem em mim.
Esta roda sem-fim que gira
em girassóis demasiados:
A mirra precisando d'água,
o manjericão, de mais cuidado
e as flores, estas benditas flores,
a me exigir delicadezas que não tenho!
Durmam rosas sem-culpa!
Não há chuva de idéias
neste meu corpo cansado de supor.
Eu pressinto nossos dias!
Entreouço nossos andejos!
Vos ofereço água e saliva,
mas não sei, senão amor.
25/03/2008
falta
nesta noite empoeirada,
pronuncio teu nome
para me indagar a saudade:
te trunco em sílabas breves,
fechadas, distantes,
amarfanhadas até.
- parecidas com quando
choro baixinho,
já madrugada,
e rezo em anestesia,
atrás de um traço de fé.
pronuncio teu nome
para me indagar a saudade:
te trunco em sílabas breves,
fechadas, distantes,
amarfanhadas até.
- parecidas com quando
choro baixinho,
já madrugada,
e rezo em anestesia,
atrás de um traço de fé.
20/12/2007
antieu
dia-a-dia amarro minhas asas
e simulo existir no mundo da normalidade
eu digo sins, tudo bem
e
nãos, obrigada
tempo em tempo
contraponho
medíocre
e
empática
a vida imóvel
interrompida
estática
e justifico
cínica e sorridente
(cheia de dedos no trato)
dia-a-dia
sorvo
trago e engulo
minha amargura
é na garganta
que
estanco meu sonho
finjo candura e sangro
pra dentro
noite na noite
eu tremo
temo
tremeluzo
o que
eu vingo
minto
dissimulo
e uso
entre tantos
entretantos
ainda entreteço
esperanço
ademais,
noite sim,
noite não,
nos asamos
e eu sinto um pouco de calor
um resto de vida
na clausura da gaiola
enfrento os laços
estorvos morais
e rezo por mim e por ti
no fundo,
apavoro
morro de medo
de uma vingança alada.
05/12/2007
descontextualizados
ah! se a gente se encontrasse
fora das circunstâncias...
e a atmosfera inteira fosse inerte.
menos nossas línguas, duas crianças...
salvo nossas pernas, puro flerte...
ah! se a gente se encontrasse
fora das circunstâncias...
sem pretexto ou contexto,
sem medo, dogma, endereço.
sem roupa nem nada.
eu saberia do teu princípio.
e te continuaria.
até o fim.
fernanda barreto
ah! se a gente se encontrasse
fora das circunstâncias...
e a atmosfera inteira fosse inerte.
menos nossas línguas, duas crianças...
salvo nossas pernas, puro flerte...
ah! se a gente se encontrasse
fora das circunstâncias...
sem pretexto ou contexto,
sem medo, dogma, endereço.
sem roupa nem nada.
eu saberia do teu princípio.
e te continuaria.
até o fim.
fernanda barreto
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