10/01/2009

Revelação

Cansado de repetir o que já foi dito,
Em voz alta, em voz branda, em surdina
Em coro, acompanhado por violino
Por sinais de fumaça
E por escrito
Atiro palavras à mesma fogueira
E silencio.

Foi um gesto de leve que te fez voltar o rosto
Virar-me as costas
Com o mesmo gesto eu me dispo dos pesos
De ferro, voz humana e espuma
E me mostro indissociável do que sou
Um monstro de éter
Um anjo por trás das vísceras.
Arranquei peles, roupas, máscaras
E não digo mais nada inteligível
O que pronuncio é chuva
O que sussurro corta como vidro.
Implora-me palavras de amor
E aniquilamento
Agora que eu vivo caos e me delicio.
Agora que nasceu em mim a lógica do Deus
De um Testamento Antigo:

Olha-me de infinito
Engole o choro.
Engasga o grito.

7 comentários:

Fabi disse...

Essa parte final é demais .
As tuas poesias são sempre tão visuais,adoro .

Fabi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Pesado este poema. Senti na revelação a resposta ao mundo opressor, ou às atitudes egoístas dos outros. Mais que uma revelação de si, apenas de si, o poema revela a "monstruosidade" desse eu, não como figura monstruosa, mas como se fosse capaz de reagir tão ferozmente, a ponto de tornar-se animal, buscar a inumanidade a única resposta possível a nosso mundo... Sei lá, são reflexões

Léo menezes

Léo Tavares disse...

são reflexões muito acertadas, menezes.
eu diria 100%

BicMargarida disse...

Leo Tavares!

Tenho me sentido assim...meio bruta...rasgando as vestes e as víceras, em gritos surdos!

Forte o Poema!

Bic

ciro disse...

Gosto muito dos seus poemas, Leo. Mas esse achei um tanto grosseiro. Não posso negar que toda essa visceralidade me soa um tanto kitsch.

abs

Ciro

sticker disse...

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