29/01/12

Faço chuva dessa alma
Faço fogo desses olhos,
Sou tudo
menos calmaria.

12/01/12

Avesso

FELIZ 2012!!!
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Avesso

Toda cidade tem o seu poeta
Rua torta, rua reta.
Profano, insano, profeta.
Toda cidade tem aquela esquina
Outrora menina, hoje puta.
Toda cidade tem as suas estátuas
Muitas circulando, outras ocultas...
E por falar nisso,
Toda cidade tem um cemitério
Um bar
Uma birosca
Um homem sério
Rima pobre, rima rica,
Até mesmo um batistério.
Mas há também o verso livre do diabo
Porque o Diabo não se livra do verso
Vomitando metáforas no corpo esquálido da rua,
Amores perdidos, serenatas e luas.
Há, isso é fato,
Religiosos se masturbando
Uns salvando almas
Outros comungando
Igrejas de bêbados
Perfumes de beatas
Botecos mal lavados
Dondocas mal comidas.
Há (havia) também os suicidas
Uns bem sensatos
Outros nem tanto.
E para além de tudo há
Homens se viciando
Tantos se vendendo
Muitos até se matando.
E por falar nisso,
Nem citei alguns artistas...
O mundo se acabando
E eles se achando...
Toda cidade tem um beco sem saída
Labirinto do caos de noites não paridas.
E tem mais, toda cidade tem a sua culatra...
Como tem a sua cultura (que às vezes vai pelo ralo)
Bolso de paletó do político
Com ou sem gravata!
Toda cidade tem um maluco
Uivando para a lua cheia!
São Jorge ou Dom Quixote
Cada um sabe a sua sina na hora da ceia
Seio de moça ou mama de puta!
Toda cidade tem um hospício
Que já nem cabe todo mundo
Loucos, bêbados ou poetas,
Sem redundância
Essa gente do capeta,
Toda cidade tem a sua hora
Entre um poente e uma aurora
Badalo de sino
No acalanto, no tecer e no roer das horas...
A chegada e a partida
Seja para uma outra cidade
Seja para uma outra vida.
E lá se vai o cortejo...
Já sem nenhuma rima.

Adeilton Lima

09/01/12

Medusa

Salve, moçada! Evoé!!!
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Com fagulhas de horizontes
Semeei meus caminhos
Brasas sagradas protegem meus pés.
Sussurrei nos ouvidos das sombras
Sugestões de amanheceres
Esperei com calma
Os grandes lábios das ondas
Antes de mergulhar
Nas profundezas das águas
E recebi seu abraço
Quando o sol bradava luz
Escancarando sua garganta tenaz
Tenor dos céus.
Ansiei, confesso, o afago de mãos suaves
Mesmo sem notar a lâmina
Venenosa a preparar o bote
Sobre os meus ombros.
Mas houve tempo suficiente
Para eu ver a máscara cair
Da face do monstro ainda sedento de noite
Agora a desfazer-se sob a luz do arco-íris...
Era a Medusa gargalhando
Suas próprias mazelas
Mordendo e engolindo a si mesma
Enquanto meu barco passava...
Livrei-me de suas garras
Sob a proteção de Atena
Que de longe
Assobiando ao vento
Indicava-me a direção
No momento exato
Em que surgia o grande portal dos sonhos
Medusa virara pedra
Ao ver sua própria imagem espelhada.
Pois não é a bondade
Mas a ira dos deuses a minha proteção,
Assim, Oxossi ensinava.
Como filho do fogo
Sou movido por paixões
Conheço bem a força das tempestades
Da mesma forma como elas conhecem
O gume do meu punhal.
Eia!

Adeilton Lima

11/12/11

A seda azul do papel que envolve a borboleta

Assisto o voo de uma imensa borboleta azul
É abril porque eu quero.
As asas de papel me lembram as maçãs do mercado público.
Tão fácil ser criança e encontrar azuis de borboleta nas compras do mês...
Tenho fome de asas,
Eu aqui tristonha entonteço meus olhos,
Penso em amassar borboletas.
Hoje quero comer a maçã.

18/11/11

Descartável

Jogo fora meus olhos no espelho

Jogo fora minha carne quando sonho

Jogo fora meu amor quando desperto


Jogo fora minha língua quando calo

Jogo fora minha alma quando odeio

Jogo fora minha sorte enquanto vivo


Fora do jogo, me desfiz das mãos

Quando te dei adeus.

Descobri

Que sou completamente descartável.

24/09/11

istmo ismos

Nexos, o istmo abaixo é do mago henrique marinho, poeta lá do recife


e assim, fez-se

fazendo o verbo

o tédio

e o não



e o sim, diz-se

da fazenda o servo

os prédios

e o vão



é assim, fiz-te

da ausência o cérebro

os remédios

e o vilão

dos ãos

sem rédeas



é, vivi e dividi-te,

da persistência a emoção,

nos inter-médios,

o fim dos ismos.