07/01/2009

Momento

E se abro os braços

de enfeite ou feitiço,

se escapo dos lábios uma palavra

de consolo ou amor,

se faço da vida um caminho

para o depois, todos os dias,

se encontro a paz das guerras,

escuto o silêncio dos gritos,

percebo a dor das flores se abrindo,

se sou a quimera exata do que nunca antes vivi,

se tudo passa como o rio e eu me despenco nele,

que posso dizer agora, que já não tenha sentido?

Menezes

4 comentários:

Anônimo disse...

A primeira linha...o que é isso? Muito interessante!!!

No mais, bela construção entre antagonismos, de um jovem com a alma de poeta, vivido...vividíssimo!!!

Léo, massa este poema, sua linguagem em geral percorrendo caminhos, construindo o estilo.

Bic

Teatro em transe disse...

Nosso rio existencial de tantos paradoxos! Corre às vezes suave, às vezes febril.
Abraço!
Adeilton

Fabi disse...

Tem que se despencar no rio mesmo.
hehe.
Bonita poesia Menezes.

Ciro disse...

Leo, o ZEN é o caminho e você ainda não sabe! O poeta passional dionisíaco tá dando lugar a um monge que escreve sobre tempos e instâncias do cosmos? Ou serão heterônimos? Excelente!