10/04/2008

Da Glória

O impossível do agora
Estreitando dedos que nos envolvem a garganta.
Dedos terrenos, de sangue e osso.
O depois aberto como uma boca
De vulcão.
Saliva divina lambendo as feridas
Do Cão.
Me espera lá embaixo, ou acima?
Fica a ti a escolha.
Sigo embevecido em transe
Desfigurado flamejante pronto
A dançar com qualquer anjo.
Ou qualquer bacante.
Não sei o nome de ninguém
Recuso qualquer designação.
Melhor seria se unissem
Tridente e auréola,
Amém e maldição.
As babas do Diabo,
E os fios da Virgem.
Nós cantaríamos elegias,
E dançaríamos tango
eternamente caindo
em fremência e erupção.

Léo Tavares

7 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Perderíamos menos tempo, com certeza. A união entre o bem e o mal, eternamente impedida, muitas vezes justificada pela salvação eterna das almas. Costumo dizer que tenho em mim o bem e o mal, ou melhor, que deus é também o diabo, ou o abriga, como um conjunto maior que contém um conjunto menor, subconjunto. Sei que isso é contraditório com o que disse acima, pois estou dando maior valor a deus, mas é isso mesmo, das duas armadas que lutam em meu espírito (parafraseando o nikos kazankzakis), certamente o que se convencionou chamar de lado claro, de "divino" é que me atrai, o que acho mais forte. Pra além das religiões. Seu poema é interessante, vc começa estruturando o ambiente em que se dá o encontro com o bestial, mas seu espírito vagueia "embevecido em transe desfigurado flamejante pronto". Espírito aberto, que tende para a luz dos salões de tango, entretanto. O poema é leve, contrastando com o peso do tema. Mas não rebaixa em momento algum o seu tom. Acho que se vc trabalhasse mais o texto, talvez resultasse uma obra de mais peso; de qualquer forma, este é o caminho.

Menezes

Anônimo disse...

Gostei muito do seu poema, Tavares.
eiliko

Fabi disse...

Adoro!
As babas do diabo,
os fios da virgem.
Tudo.

Vitor disse...

Adorei esse poema! sensível, lá de dentro, e forte, muito forte! imaginei ele vermelho...
abração!

Vitor disse...

ps: pq o primeiro comentário foi excluído? e por quem? do que se tratava? fiquei curioso...

Ciro disse...

Meio dionisíaco, meio entorpecido, pagão. Gostei. O que é profano interessa. Mas concordo com o Menezes: vale uma pequena retrabalhada, um pente fino nesses versos para o poema ficar mais cristalino...