03/03/2008

Doce e calma

Doce e calma,
Melódica e fim.
Sem curvas,
Sem buracos,
Sem pedras,
Quero andar descalça,
Quero vento no cabelo,
Quero fluir,
Passar como o verão,
Virar foto na parede,
Traço no rosto de outra pessoa.
Lembrança de alguém.

No papel eu quero ficar,
Quero ancorar na poesia,
E ver o sol se pôr dali,
Praia deserta,
Último cigarro,
O sal do mar ressecando a pele.
Dormir.

Fabi.

5 comentários:

Vitor disse...

Lindo Fabi, lindo.

tava reparando que vc gosta de querer né... hj, me aconteceu um poema que eu quis um monte de coisa junta...=P lembrei de vc por isso...hehehehehe

beso!

Léo disse...

o poema tem uma leveza muito interessante, e o mais interessante é que ele me parece um preparo "doce e calmo", fazendo uma alusão ao título ao inevitável do tempo e da morte. Parece um desejo enorme de fazer com que a vida valha a pena, mesmo sabendo da transitoriedade e da finitude das coisas. gostei muito.

Teatro em transe disse...

O lirismo nos transporta! Legal! Beijão!

Léo disse...

Tá pensando que a vida é tão fácil assim? Bem, de qualquer forma, a o teor lírico do poema é muito grande, o subjetivismo, o querer do indivíduo, que no entanto se divorcia do mundo material, da pressão da realidade que nos cerca. Esse "escapismo" não é problema, funciona bem, carrega o poema de beleza, é triste, é o refúgio perfeito da dor, quando (não) queremos enfrentar o mundo lá fora. Podemos até chorar ante o precipício da alma que se abre/fecha sob este olhar.

Obs. Sou eu, o menezes.

Juliano Rezende disse...

Doce, calma, melódica e fim. Esse poema passou pelo lirismo e, aí que me deixou mais admirado, pela trajédia. Sinto no poema um tentar feliz, mas algo amargo e trágico vencendo no final das frases. Uma luta constante, mas quem vence é a tragédia.

bjos.