06/03/2008

As Mulheres Carroceiras

As mulheres carroceiras têm peitos grandes
Amamentam?
Os meninos esquálidos
No lombo da vida
No meio do mundo
As mulheres carroceiras
Dão chicotadas no cavalo
Com sua obediência sem relincho
Suportando a carga do dia seguinte
Pra encher a marmita de capim
As mulheres carroceiras
Lambem o asfalto da cidade
Sobre potros alados
Aladim sem lâmpada mágica
Catando velharias
Em ruelas semi-nuas
Cacos de esquinas no fundo das latas
As mulheres carroceiras
As carrocerias vazias
O suor do cavalo ou da égua
Com sede, com fome
Apenas o sal
Amargo
Do deserto
Ou do cerrado

Adeilton Lima

5 comentários:

Vitor disse...

Muito bom! adorei! reflexão poética sobre uma problemática sociológica! gostei dos elementos da maternidade, e do urbano... lamber o asfalto da cidade foi forte, muito.
valeu!
Vitor

Fabi disse...

Que bonita a sua poesia Adeilton. Gostei muito disso de mulheres carroceiras.Você fala do social de uma maneira tão original. As tuas poesias, mesmo as mais fortes, sempre parecem conter uma ironia, um riso rasgado diante da estupidez. Eu gosto muito disso.

BicMargarida disse...

Adê, nossa, esse ´´e um tema bastante interessante, poético atual e importante. Essas pessoas passam pela cidade anonimamente e são agentes ambientais importantes qure dever ser vaslorizados e respeitados. Deveriam sim ter mais dignidade.

Muito lindo o seu poema, poeta!

Teatro em transe disse...

Beijão!!!!! Gracias!!!

Juliano Rezende disse...

Adeilton,

esse seu poema teve o ritmo de uma carroça, muito bom. Independente do tema traçado, se problema social ou crítica visual, gostei muito dos cacos de esquina, lamber o asfalto, obediência sem relincho, enfim um mosaico de sentimentos em um ritmo só, cabeceando, como os cavalos.

valeu.