12/01/2010

ENQUANTUM

eu via o sol evaporar-se nas cortinas do meu quarto
sabia que a solidão era tenaz
sentada ali em sua cadeira de balanço com fragrâncias de saudade
eu via o sol erguer-se em estátuas, em seu corpo
modulando o tato na escuridão
eu via a expressão do céu lilás acolchoado sobre a planície dos sonhos
por vezes, acariciava as luzes da cidade com meus olhos de lágrimas
de mãos dadas com a menina,
eu acreditava que todo o palpitar de coração fosse brevidade
ficava aqui, tropeçando pelo labirinto de meu corredor
ele tem a distância de dois corpos quando fazem amor
ele tem a distância de um beijo sorrateiro,
eu escutava a respiração do outro lado do muro
e um pavor tomava conta de mim
eu quis subir o muro
mas sempre caía
achava melhor acender um cigarro e esperar tudo ficar em quietude
achava melhor esperar um aceno de compaixão
já que todos os fósforos estavam apagados
só me restava um suspiro matinal, daqueles que as borboletas acalentam antes de morrer
eu quis ser pólvora
uma vez acreditei que o silêncio era azul
e que a saudade, não sei bem de quê, fosse um deserto desenhado em papel sagrado
como cartas mágicas se perdendo no tempo
pensava no amor...
enquanto observava a bailarina riscada nas paredes do quarto ao lado
fazendo acrobacias com o mistério.

4 comentários:

Fabi disse...

Que bonito poema Kybelle!
Tem uma certa melancolia, mas não me remete tristeza, ao contrário, apesar de falar sobre solidão, me passa até uma leveza. Gostei muito.

Silvana Nunes .'. disse...

Obrigada pela visita e por suas palavras tão carinhosas para com o meu trabalho.
Linda é esta poesia,magníficamente escrita.
Volte mais vezes, FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... terá sempre ums história para te contar.
Beijo grande,
Saudações Florestais !
http://www.silnunesprodf.blogspot.com

Léo Tavares disse...

lindo, terno, saudoso... uma dor resignada com os términos vai virando nostalgia. gosto das imagens. alguns desses versos doeram um pouco.
adorei.

Jorge Antunes disse...

Gostei das alegorias que nascem, se afinam gradativamente até a última frase, quando tudo se expande.

Belo. Meus parabéns.