05/11/2009

Vendida

Ando pelo mundo lânguida e desinteressada das coisas como uma gata velha.
Tenho minha almofada, tenho minha ração.
Recebo de bom grado os afagos desatentos de quem passa.
É hipocrisia ou instinto de sobrevivência o que me impede de enxergar as redes na janela?
Mimetizo-me, mas sempre gata:
me faço de tola enquanto engulo passarinhos pelos cantos da casa.

10 comentários:

Anônimo disse...

você engole passarinhos, tem gente que engole sapos... mas tem sempre de ser empurradas essas coisas indesejadas da vida? ou nós escolhemos bem a forma de tocar o barco, abaixando ao carrasco a esperar sua benção final?
Considerações...

Menezes

Nexo Grupal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nexo Grupal disse...

você deve estar um sinfonia por dentro.
tadinho dos passarinhos...rs
kybelle.

Léo Tavares disse...

ô, adorei.
:)

fernanda barreto disse...

raíssa!
lindo poema
mas
liberte os passarinhos!!!!!
beijos ambientais,
nanda

Raíssa disse...

Ei, galera!

Me perdoem os ambientalistas - e os próprios passarinhos - , mas, gata que sou, me recuso a abdicar do pecado de me encher toda de música roubada.

Beijos gulosos e saudosos,

Raíssa.

luiz gonzaga disse...

"teve pena da rolinha
que o menino matou.
mas depois que torrou a bichinha
e comeu com farinha...
gostou!"

mateus trabelo disse...

a cadeia alimentar é assim mesmo ecológica: o passarinho papa o grilo, o gato papa o passarinho, o gavião papa o passarinho. e Zabé come zumbi. na lata do poeta tudonada cabe.
parabéns raíssa.
léo, não entendi onde o sapo entra na estória...

Raíssa Abreu disse...

Sapo não entra na história mesmo.
Eu engoliria sapos se não desse um jeito de engolir meus passarinhos.

César Furtado disse...

Este é ótimo !
Parabens ,Raíssa .