09/04/2008

Mundo distante*

Mundo distante,
onde nada se move,
nem os carros, as árvores, os bichos,
as crianças, nada...

Arbítrio do tempo...

Casas manchadas de tijolos.
O adobe esconde o mecanismo da enfermidade.

Mas eles sorriem,
vendo outro mundo passar,
indo de um lugar ao outro
gastar seus sonhos
em razão do progresso.

E ainda que esteja distante,
esse mundo é o meu lado construído,
do qual observo e entendo o meu mundo
verdadeiro e primitivo,
e me perco, na miopia do desejo,
a perseguir as cores fulgurantes que incendeiam
a aliança naufragada destes dias...

Léo Menezes

*Poema de fins de 2006, publicado aqui para dialogar (de alguma maneira) com os poemas da fabi e da Bárbara. No modo de representar o outro.

4 comentários:

Fabi disse...

Tá. Não é a tua melhor poesia, mas eu gostei!
Isso de "Casas manchadas de tijolos", é muito bonito.

Anônimo disse...

Era só pra dialogar com a forma de ver o outro. Vou até retirar o poema daqui um tempo.

Anônimo disse...

Mundo distante
onde nada se move
nem os carros as árvores os bichos
as crianças nada

Casas manchadas de tijolo

E me perco na miopia do desejo
a perseguir as cores fulgurantes que incendeiam a aliança naufragada destes dias

Mateus Trabelo disse...

Gostei do corte do anônimo.
E adorei esse lance d'ôce e da Bárbara dialogarem, com poemas, com poemas.