14/04/2008

me compra um mundo

me compra um mundo

onde todo mundo

goste de jambo

onde eu não precise

saber qual chave

abre a minha porta

porque não se tranca

esse outro mundo


[eu procuro

anúncios

da nova era

encontro apenas

aluguel de céu

pra depois daqui]


me vende um tempo

fiado

é que o pagamento

só sai no aniversário

até lá preciso de tanto

roupa sapato tomate martelo

e aquele antialérgico genérico

pro caso de um piripaque


parcela em cinco vezes

a vontade do que não se é

pra ver se, farsante

consigo me dividir

a perder de vista


e assim

aos pedaços

com juros de cem por cento ao mês

não haverá fome

saudade sono estupidez

capaz de me roubar

a paz atômica

de existir

só.


Carô Pedreira

7 comentários:

som imaginário disse...

No Nepal existe uma praça
onde fica um monte de dinheiro
e quem precisa tira o que precisa
e quem ganha bota lá de novo
e lá não tem problema financeiro
e o povo é sempre muito ordeiro

No Nepal tudo é barato
No Nepal tudo é muito barato

No Nepal tudo é barato
No Nepal tudo é muito barato

No Nepal a juventudo canta
e cultiva flores de outras terras
pinta o corpo de todas as cores
e procura sempre as coisas certas
No Nepal o casamento é livre
e os sinais nas ruas sempre aberto

No Nepal tudo é barato
No Nepal tudo é muito barato

No Nepal tudo é barato
No Nepal tudo é muito barato


No Nepal o ar é cristalino
e a verdade vem dentro dos ventos
e o carinho rende juros fortes
e o povo vive só de renda
Te convido companheira amada
a fugir para o Nepal comigo

Fabi disse...

Lindas poesias!
E casaram bem.
Eu adorei a da Carô desde o encontro, achei uma das melhores da noite.
E essa aí de cima é de quem?
Vou chutar, Mateus?
Bjos

maira disse...

me parece que é do Ciro....

(Maíra)

Anônimo disse...

Comprar aquilo que não tem preço, ironia dos sentidos...
a paz, atômica, é negação daquilo que significa a própria palavra. Que paz vem depois do hiroshima? Que mundo ideal teríamos se o dinhreio pudesse nos dar de fato aquilo que oferece... A liberdade? Esse mundo sufoca o homem, traz pára o extremo da resistência: só a arte poderia transceder as contradições do real e expô-las em sua estrutura estética. Mas só por conta da utopia que carrega...
Menezes

Léo Menezes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Léo Menezes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Veno Leras disse...

E isso você me esconde.