12/04/2008

...

quero falar do inverso do nada
do verso no avesso
a inversão do vazio
a caixa-preta pisada

quero mentir para a verdade
desmascará-la
ridicularizá-la
gritar pra ela,
que ela não basta

quero mensurar aquele nada
nadar nos seus ventos
e soprar os vazios que não o contém,
só o detém

quero brincar de jogar nada
espalhar cada grão de areia do parque
no fluxo dessas travessias,
andanças para subverter esse nada

quero não gostar do nada,
mangar dele,
buscar seu inverso,
e fotografá-lo.

quero ser inversamente proporcional ao nada
que é nada
mas com tudo dentro.


Vitor Aratanha

3 comentários:

Fabi disse...

Ser inversamente proporcional ao nada é d+!
Vc tbém gosta de querer né Vitor?
Adoro a sua poesia.
bjo

Anônimo disse...

Tem um humor no seu poema, gosto disso: "quero ser inversamente proporcional ao nada
que é nada
mas com tudo dentro." Foi a sacada, pra mim, adoro esse tema do nada, é um dos meus prediletos. Talvez porque o nada seja condicionado pelo tudo e que por sua vez se relaciona com nosso eu para formar os valores relativos. Ou seja, o nada muda assim como mudam nossas expectativas em relação ao tudo. Entendeu? Acho que nem eu...eheh.

Menezes

Ciro disse...

É um ótimo poema... lúdico até o osso. Achei apenas as estrofes um tanto irregulares umas com as outras...

"quero falar do inverso do nada
do verso no avesso
a inversão do vazio
a caixa-preta pisada"

esta estrofe parece ser leitmotiv do poema, a força direcional.

já esta:

"quero mentir para a verdade
desmascará-la
ridicularizá-la
gritar pra ela,
que ela não basta"

insere o tema da verdade, não o retoma, muda com radicalidade a forma do poema e não tem a beleza da primeira.

De qualquer forma, o aproveitamento do tema é muito bom. São poucos poetas que conseguem entrar nesse campo de...hmm... humor metafísico?