12/02/2008

Invisibilidade Urbana

espectro de luz incíta
olhares fulminantes demarcam
de cada parte sai o causo
e amedrontados
em individuação interpelada pelos desvios
acercam os andares e fulgores alheios
e constantes, brincam de se esconder

atrás daquele sinal
atrás daquele cartaz
atrás daquele meio-fio

o significante que representam
é obscuro, é inconsciente
apresenta nosso racismo
conforma nossa distância
e encara nosso desprezo.

varreduras instigam
poeiras os cercam
significam o que lhes é demandado
a limpeza
a pobreza
a invisibilidade

tornamos assim, cidadãos da hipocrisia
vivemos sem sorrir para um desconhecido,
demarcamos tratamentos por classe
forjamos imagens e lugares
agimos projetando um simulacro
e afogamos nosso discurso.

para aqueles que os enxergam através da luz
obrigado pela visão social que engendram
de parcerias de olhares
emergem alcances positivos
e dignidade outra nos acolhe.


Vitor Aratanha

5 comentários:

Nexo Grupal disse...

eita! as estrofes saíram todas juntas, não sei o que aconteceu, talvez eu tenha que dar um espaço duplo entre cada uma...enfim, vou aprendendo... só pra saberem, o espaço existe após as linhas 7,10,15,21 e 27, acho que é isso...
abraços
Vitor

Fabiane disse...

Vitor

Bem interessante este tema da invisibilidade...Que a poesia também sirva como crítica social e reflexão sobre questões relacionadas à ética e à humanização das relações sociais.

Parabéns!

Bic

Fabi disse...

Pessoas que se tornam invisíveis ao olhar do outro. O mundo é hipócrita. Bela poesia!

Renaro disse...

Bom, meu caro, na minha opinião, a poesia é o palco perfeito para botar para fora todos os males observados e escondidos nas entranhas de nossas cansadas mentes. Meus parabéns!

Renaro

Ciro disse...

Me incomodou um pouco o fato de o poema poder com certeza ser alinhado na forma de prosa e não perder muito o sentido. Quer dizer: se escrevemos em verso para tornar o que escrevemos poesia, então devemos fazer dos versos em si tanto significante quanto significado da expressão. Acho que esses temas de hipocrisia social, apesar de poderem ser expressos perfeitamente em poesia, adequam-se mais ao pensamento indagador da prosa. De qualquer forma, há inúmeros exemplos que me contradizem. Mas gostei mais do "Alumbrar-se".