23/01/2008

Gente, ninguém mais posta?
Onde estão os poetas desse blog?
Todo mundo está de férias?
Aposto que no orkut vocês entram todo dia!
Bom, vai outra minha aí.

No país das Maravilhas

Não há mais nada.
É como uma Alice pós-moderna,
Pré-Balzaquiana que eu digo.
Não há pra onde crescer,
Não há como sentir-se menor.
Nesta mesma pele eu mudei tanto
Que não reconheço mais no espelho o meu passado.
O tempo não fez as pazes comigo
E eu não possuo chaves,
Não encontro portas;
Nenhum gato de cheshire com sorriso de meia-lua
Nenhuma rainha de copas jogando croqué.
Encontro apenas miséria e desamor.
_Uma Alice Amargurada_é o que sou.
Na fila do ônibus,
Adormecida na cama vazia
Despertando antes de por fim aos sonhos...
Sem lebre de março,
Sem lagarto fumando narguilé,
Sem encanto.
Uma Alice sem coelho branco.

Fabiana Motta

5 comentários:

ricardo guará disse...

chavão abre porta grande

Ciro disse...

que amargura! :P

Léo T. disse...

eu gosto desse poema. é como se vc fosse uma alice sem a parte onírica, ou seja, uma alice já crescida, que não tem mais facilidade pra sonhar, certo?
domingo tem encontro de poesia... tomara que depois o povo volte a postar por aqui!

Léo disse...

Existe uma auto-piedade em seu poema que incomoda. Mesmo que a alice do poema seja uma personagem, ainda assim existe forte carga de relação entre ela e a poeta, no caso vc. Nesse sentido, o questionamento de certas "características" que pertencem à alice que todos conhecemos - e que agora estão perdidas - é sinal do desencanto e da "consciência" que vc tem de si mesma. "É como uma Alice pós-moderna, pré-balzaquiana, que eu digo". Mas, e esse é ponto, esse desencanto expresso no poema é também um desencanto de mundo - e do mundo -, da era em que vive essa alice. Esse desencanto (e também a fragmentação da personagem e o esgarçar de seus sonhos) é colocado como marca evidente dos tempos pós-modernos, uma era em que a subjetividade é questionada, mas continua a ser construída, agora pelas leis do mercado, regido pela ideologia. Quando vc corrobora com esse "questionamento" do seu eu, de certa maneira contribui para esse estado de coisas que nos querem impingir, de que nossos desejos são mais importante que tudo e nascem de uma necessidade individual. Mas como individual, se hoje o sujeito é fragmentado, não existe mais como mônada? O que quero dizer é que inconscientemente há no poema uma afirmação dessa contradição evidente do que se chama pós-moderno. Nada demais e há liberdade para expressar o que se sente. Esse é o espaço que vc pode fazer isso. Mas, se não no poema, em algum lugar deve haver a crítica ao sistema-mundo que nos abarca. Ou senão seu poema torna-se mero exercício de auto-piedade, incapaz de questionar e auto-questionar-se. Será?

Fabiane disse...

Será?

A expressividade nasce de experimentações!!!

Vamos nos experimentar então!!!