16/11/2007

amor fora de moda
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nos anos dois mil,
diante do abismo,
tempo de coração duro
e sentimento vil,
a moça, abismada,
por cima do muro,
amava.
.
na feira de almas,
com tanto consumo,
a moça, assombrada,
por tanto modismo,
sentia frio.
.
amava por diletantismo
amava, e ninguém nunca viu!
abissada pelo sofismo...
vê a moça estatelada?
amava tanto, que caiu!
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Fernanda Barreto

5 comentários:

Fabi disse...

Nossa, que lindo o que vc escreveu!

Léo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Léo disse...

o amor...não é nada absurdo, mas é milagroso. Natural ao extremo e, no entanto, construído... Esse amor do prédios, das formas sensuais dos carros, dos gritos (uivos) de prazer da buzinas, milhares, espalhadas pelo que resta de verde desta cidade preservada, esses amores brutos, de cães com cara de gente e gente com cara de cão, esses amores de punho sólido na mandíbula esfacelável... não é esse o amor que repetimos tantos tempo, o amor das flores coloridas e dos ventos quase parados, compondo a moldura da imagem delicada, o amor das donzelas dalgum convento, amor puro de bochechas rosadas e olhos inquisidores: o amor do herói que levanta a espada, convicto de que só a morte pode abrir portas para o que sente como amor... Quais amores serão viventes nesta era de estetizar a morte do amor cortês e da rapunzel que ainda tinha tranças - quando era moda usar tais tranças, fedorentas? qual o episódio a mostrar a felicidade de dois seres, quando exaltamos como relíquia aquilo que brota como nascente em nossa vida, todo dia, pra sustentar o sol – e toda a parafernália do universo?

Bob disse...

A nanda sempre transitando entre a histeria pós-freudiana e a delicadeza da ação... (haha)

E Leo, vc tá ficando muito barroco!

Fabi disse...

Nossa, o Léo é muito amargo...
hehehhe