18/10/2007

o que divide.

Uma ciência do que se sabe menos,
um olhar sobre aquilo que conhecemos
e nem vemos,
uma palavra aberta de sentidos
para todas as vidas que vivemos;

Mas do outro lado
estamos cientes do perigo,
frente a frente,
sonho de censuras,
seqüência de óbitos...

Léo

5 comentários:

Ciro disse...

"Uma ciência do que se sabe menos"...

Esse verso é bem poderoso. O poema como um todo me parece meio feito às pressas, mas esse verso me instigou a pensar em algo como uma ciência do não-conhecimento, uma ciência do a-conhecimento. O que pensar, por exemplo, de uma ciência da transcendência, ou do transe religioso, ou uma ciência de como-brincar? Matéria de poesia, certamente...

Mateus Trabelo disse...

Gostei bem desse poema.

A primeira parte me lembrou Manoel de Barros, tipo


as coisas inúteis são as mais belas


Um Manoel de Barros emulado, digamos. E aqui não tem ironia não, porque, me desculpem os haroldistas, eu agrado do Manoel, assim como agrado da Adélia. Como diria o Nicholas, poesia boa é aquele que a gente entende.

E esse trem da re-visão da ciência, papo que adoro e, por mais que os vanguardeiros de plantão teimam em dizer que tá por fora, sobre o qual tanto há ainda a dizer. Acho que o I. Ciro concorda comigo. Hein?

A segunda parte me intrigou. Gostei da dialética. De não ficar no fantástico mundo de bob da primeira parte. Apesar deu gostar dumas polianices, de mostras de futuríveis diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final. Dai veio o lance da seqüência de óbitos e eu fiquei pensando se o poema queria dizer que tanto a ciência como a religião originam-se do medo da morte e coisas que tais, e vi que viajei.

Bob disse...

É legal que esse poema funcione exatamente como um aparelho psíquico. Há um pulsar vertiginoso, querendo romper com imposições castradoras, na primeira estrofe. Mas há também um super-ego-carrasco na segunda, frustrando nossos desejos, colocando a ordem das ciências "duras", criando neuróticos...

legome disse...

OLha, pensei que haveria uma justaposição, no sentido de que a busca pela "ciência do próximo" ou pela ciência dos sentidos (que no fundo é a gênese de toda ciência) seria contradita pela "ciência da morte", não como algo criado, mas como sabedoria também atávica, ou melhor, irracional. Uma ciência irracional! Lembrem-se dos elefantes que deram exemplo no tsunami de 2004...

sue disse...

"super-ego-carrasco "
medo do Ciro!