16/08/2011

O ofício de envelhecer

há quem envelheça como os pães (endurecem)

alguns correm como as águas (morrem se ficarem parados)

outros dão frutos (se espalham por aí)

ou terminam como as geladeiras (resmungando)


há os que envelhecem como as palavras

(ninguém entende mais o que querem dizer)

os que imitam os elefantes (fogem)

ou são parecidos como os livros

(abrem-se a quem lhes dê atenção)


há aqueles que vão como portas

(passam a vida inteira fiéis à uma ou duas chaves)

e não são raros os que acumulam os anos igual aos espelhos (sem memória)

aos buracos (vazios)

além de quem mimetize as fotos (não mudam nunca)


mas existe ainda um tipo especial

(os que apodrecem antes mesmo de envelhecer)



Imagem: Boecklin, vita somnium breve (1888).


4 comentários:

Fabi disse...

Adoro o tipo de comparação que vc faz nessa poesia, são simples, mas muito bonitas.

Léo Menezes disse...

Esse quadro é uma alegoria?

Anônimo disse...

acho que vc sabe a resposta, Leo. :)

Anônimo disse...

já que vc não se manifestou, sou mais parecida com as geladeiras. E adorei a majestosa pagando cofrinho ;)