18/02/2009

Um verão

Quero quarenta graus à sombra
Um calor que me aqueça até a alma.
Um verão
Desses de céu limpo,
Que dê cor a minha pele
E faça arder minhas costas.
Aposentar casacos,
Inaugurar chinelos,
E comprar chapéus.
Domingo acordar cedo,
(Só domingo)
E ver o sol nascer,
Quero priorizar redes
E passeios longos
Em praias eternamente desertas.

Acomodo-me aqui
Porque canso fácil
Me permito cigarros e devaneios
Enquanto chove sem fim
Neste inverno constrangedor
Em que me abrigo.

3 comentários:

Ma Santha disse...

palavras lindas e leves.


bom, muito bom!

Anônimo disse...

Voa passarinha, voa!

Sonhos tão singelos, de comprar chapéus, de usar chinelos...E a gente civiliza...mercantilmente...e segue vivendo...

V Vooo ooo aaaa!

B.

Anônimo disse...

É nítida neste poema a divisão entre interior e exterior. Ou melhor, ao que acontece na realidde (2ª parte) e o que acontece internamente (1ª parte). A essa dualidade soma-se uma auto-complacência do eu-lírico ou, nesse caso, da própria poeta, que constrói sua lírica em cima de sensações e desejos pessoais. Tanto é que o verbo é querer na primeira pessoa. Como desdobramento dessa oposição, há outra, a que interpõe o calor dos sentimentos com a frieza do ambiente onde ela se encontra. Nesse jogo, o que ressalta é o intimismo que marca sua poética. Fabi, seu estilo é apurado. Continue a experimentá-lo e a aprofundá-lo.

Léo Menezes