16/02/2009

AVES

ALÉM MAR
DENTRO DOS ENCONTROS
DOS PONTOS
PORTOS ALIMENTADOS
CULTIVADOS
DADOS
FARÓIS ALUMIANDO
POR ENTRE AS PARAGENS
DAS AVES LILASES
DE SOL
LUZ ALÉM
ENTRE
ROSA DE NASCER
AZUL DE CHEGAR
SOLARIZAR
SAUDAR
SARAR





AS RARAS VERTIGENS DOS VÔOS DAS AVES

6 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

O que tem de aves no poema é o quanto as imagens nos atravessam, assim como a luz que perpassa todo o poema. Luz nas cores que são claras, solares. O poema alcança um ritmo coeso que também é notado no conteúdo, no poder de concisão, que não impede, porém, a efusão do sentido visuai e de sua consequente abertura para outros significados, omo o da associação entre o azul (cor que se torna solar no poema) e o estado de alma e corpo, no "sarar" que encerra as vertigens dos vôos das aves. Acho, Bic, que teus poemas vêm sendo mais lapidados e, por isso mesmo, têm alcançado vôos mais altos. Parabéns.

Menezes

Anônimo disse...

Administrador do blog, mande este comentário pra eu ler...o que foi excuído... Bic

Anônimo disse...

Eu que publiquei, só excluí para editar o comentário. Léo Menezes.

Ciro disse...

Bic, pra fazer um diálogo, olha aí meus dois poemas sobre vôo ou pássaros:

Vôo

O vento é a subtração do vôo.
A asa, lâmina asséptica no desvario sem coração do vento.
Moscas e suas tonterias.
Mais que voar, essas coisas obedecem à telepatia do vento.
Pássaros negros e seus recortes do céu.
Há um bocado de geometria no espaço aéreo.
Vento e vôo: yin e yang.
Não há no pássaro a liberdade de saber que seu vôo é uma parede.
Os insetos já sabem que são tamborilados pelas agruras de um meio mais estéril, mais
sisudo, rancoroso: mais éter.
O inseto é nada mais que um maldito inseto, para o vento.
Já um condor teria o peso de uma flecha prateada, empestada em sangue.
Mas até o vento obedece à gravidade.
E até a gravidade, à relatividade.
Daí o triunfo das asas, fantoches de fantasmas.
Meios existem para serem perfurados.
A aerodinâmica, para ser vencida.
O vôo jamais deveria ser metáfora para se galgar altos saltos imaginativos.
Como prisão, o vôo precisa libertar sua feição claustrofóbica.
Uma libélula não passa de um barquinho.
O canário pode, é triste, ser confundido com o sol.
O avestruz, um bicho leve, pode voar.

Medo de Pássaros

Foi por medo de pássaros que segurei pela primeira vez na tua mão.
Há quem ache engraçado que certos povos indígenas, nos inícios dos contatos com a
tecnologia, pensassem que os aviões fossem pássaros divinos.
Daí esse seu medo – subtração da vontade – nada ordinário dessas criaturas que
ferinam, audazes, meios para os quais somos apenas sacos pesados e voluntariosos.
E eles trituram esse azul com ferramentas específicas, essas armas de apequenar as
coisas.
Pode ser um bicho paciente, o pássaro, por comer moderadamente (sempre parta seu
bife em cubinhos pequenos), mas funciona segundo uma lógica de eletricidade.
Afunda, lamina com esse reator dinâmico de volição, essa máquina que nunca dorme.
Objeto de uma medição artesanal; pássaro que esfacela um mundo feito para criaturas
meridionais, obesas.
Eles gostam mesmo é da práxis da esturricação, pulverizando os elementos, destruindo
graças a uma conduta obstinada e febril.
Lá no céu há pássaros não porque tenham conseguido esta ascensão como Cristo,
humilhado e leve.
Pássaros têm este privilégio de olhar de cima porque tensionavam planos desafetuosos.
Avatares orgulhosos duma hierarquia bestial.
Olha de cima, e o mundo é o quintal dos pássaros.
Cada ponto erigido desse mundo funciona como um nódulo, uma fruta carnuda,
oferenda para as lâminas que bicam.
Lâminas que voam.
Lâminas que gozam.
Nos salões das orgias dos pássaros, são generais que riem das lendas obtusas.
Primatas gorduchos que voam.
Corolário das origens vassalas, desaladas.
Ascender aos céus não é, portanto, nada além de ascender aos pássaros.
A cizânia humana é a cizânia dos pássaros.
A acatisia humana é a acatisia dos pássaros.
O avião humano é um totem para os pássaros.
E os pássaros passam
e cagam na nossa cabeça.

Anônimo disse...

Belos Poemas!!! Na minha humilde análise, sinto um quê de poesia cerebral...percebo também que colocamos muito de nós nos signos que percorremos na busca estética do pensamento poético.

No primeiro, conceitos descritos, alguns me parecem lindamente escalafobéticos (...avestruz...), outros, afirmações com belas imagens. Outros ainda, fortes, implacáveis, realisticamente cruéis...belos como a vida!

No segundo, uma mistura de narrativa científica, mas continua com um quê conceitual, como numa análise laboratorial, frio no sentido de análise do mundo, o que me parece bom...porque realista, de real e concreto.

Belos Ciro!!
Bic