30/09/2008

Despedida

Esse pensar todo me cansa,
O teu fogo já não me acende
E eu perco o ritmo no meio da dança.
Sigamos separados .
Eu não sei acompanhar teu ritmo descompassado,
E não adianta,
Eu não tenho pressa,
Pra mim não será a última vez,
Sempre o que me sobra é tempo.
Ver-te assim de longe
Agora,
Sem ser meu,
Faz-me pensar que eu não sou tua também.
Eu me fantasio de gente,
E no meio do mundo,
Eu amo a semente.
Longe de ti,
Eu enfim descubro,
Que posso esperar.
A festa acaba,
Vou-me embora de mãos dadas com o sol.

Um comentário:

Léo Tavares disse...

Creio que a idéia aqui seja enfatizar que você prefere estar só, mas vivendo o próprio ritmo e sob a própria velocidade, certo? Gosto do poema, especialmente porque acho que ele foge um pouco dos temas recorrentes no trabalho da Fabiana, que são nostalgia, desejo de ser/tornar-se outra coisa e metalinguagem. Aqui a nostalgia ainda existe, sob uma espécie de névoa do que foi um relacionamento ou história de amor, que teve o seu fim.
"Ver-te assim de longe
Agora,
Sem ser meu,
Faz-me pensar que eu não sou tua também."
São os versos que tornam isso visível. Porém, imediatamente esse rastro de nostalgia dará lugar à exaltação do que virá. O futuro livre e desconhecido (em semente) é melhor do que as danças e as noites (vejo um sentido de lugar fechado/escuro, ao longo do poema, que ao final dá lugar à amplitude clara. O dançar torna-se uma caminhada pela manhã. De mãos dadas com o sol, agora. Um outro tipo de dança que se inicia a partir da semente.
Não posso evitar referências cinematográficas que me vêm na maioria das leituras de poemas que faço. Aqui pensei na última cena de Noites de Cabíria. O dia amanhece e ela vai embora sem absolutamente nada (mas há uma semente). O tipo mais bonito de esperança.