23/12/2007

Parece que a dor – um dia me disseram –
redime todo pecado.
O Amor, a Paixão, o Desejo,
por tudo aquilo que mais precisamos
- e queremos –
Se esvai em dubiedade,
como uma água suja
que precise de um filtro divino
para resgatar o que lhe resta de luz.
Assim versejado, andamos,
meio a meio,
com um olho na pureza do humano
e o outro no que se abriga
de bestial em nós.
Nada de mau,
nada de louco,
nada de santo,
apenas duvido das palavras cristalinas,
aquelas que nos deixam ver
o outro lado,
mas me perdem dentro
de sua tenebrosa – e redita –
limpidez...

Léo

4 comentários:

Fabi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabi disse...

A dor redime o pecado, mas o pecado ( Amor, a Paixão, o Desejo)é aquilo que mais desejamos e precisamos. A verdade é um ponto de vista, nada é inteiramente uma coisa só. A gente escolhe de qual maneira viver, independente das escolhas alheias.

Ciro disse...

Li, reli, li de novo, etc, e concluí que...gostei! É um poema um tanto quanto irregular... talvez prosificado demais, mas a mersagem é poderosa, traz aquele tema enigmático e eterno da dubiedade das coisas. Coisa fina, mas acho que merece ainda um segundo tratamento...

Léo disse...

Concordo que merece um segundo tratamento, mas acho que o elemento prosaíco não acarreta irregularidade para a poesia, depende do referencial. Se vc pega um drummond, por exemplo (não quero me comparar, veja bem!) perceberá uma carga de prosa muito forte, mas é claro que no caso dele a capacidade de condesar a realidade em seu lirismo é tão forte que mesmo os poemas mais prosáicos são inegavelmente poesia. No meu caso o que há é uma dicção discursiva que foge da forma poema propriamente dita, sem a genialidade de um drummond, mas que dialoga com o pensamento objetivo, ainda que se utilizando, como leitmotiv, de uma "explosão poética", que geralmente caracteiza o início (ou fim) de meus poemas. É isso (acho) EHEH