20/12/2007

antieu

dia-a-dia amarro minhas asas
e simulo existir no mundo da normalidade
eu digo sins, tudo bem
e
nãos, obrigada

tempo em tempo
contraponho
medíocre
e
empática
a vida imóvel
interrompida
estática

e justifico
cínica e sorridente
(cheia de dedos no trato)

dia-a-dia
sorvo
trago e engulo
minha amargura

é na garganta
que
estanco meu sonho
finjo candura e sangro
pra dentro

noite na noite
eu tremo
temo
tremeluzo
o que
eu vingo
minto
dissimulo
e uso

entre tantos
entretantos
ainda entreteço
esperanço

ademais,
noite sim,
noite não,
nos asamos
e eu sinto um pouco de calor
um resto de vida

na clausura da gaiola
enfrento os laços
estorvos morais
e rezo por mim e por ti

no fundo,
apavoro
morro de medo
de uma vingança alada.

fernanda barreto

2 comentários:

Fabi disse...

Nanda... Adoro as tuas palavras.

Léo disse...

Isso que está dentro de nós, que se esconde, que engolimos, calados (gritando?) dia-a-dia é o que nos faz viver ou nos faz morrer, pouco a pouco? Queria libertar tudo e fazer a realidade ser um lugar em que os sonhos perambulam como tantos automóveis fazem, displicentes...